Espaço urbano como violência simbólica em O Homem que Virou Suco
Resumo
A cidade de São Paulo é frequentemente evocada no cinema brasileiro como metáfora viva das tensões sociais, econômicas e territoriais que atravessam a modernidade nacional. No filme O Homem que Virou Suco (1981), dirigido por João Batista de Andrade, esse papel se intensifica. A metrópole não apenas ambienta, mas atua como personagem central, contribuindo de forma narrativa e simbólica para a construção do conflito vivido pelo protagonista. Ao observar os modos como a arquitetura moderna surge no filme, o presente trabalho propõe investigar o poder narrativo do espaço urbano enquanto expressão simbólica da violência estrutural e da alienação urbana sofridas pelo migrante nordestino.
Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa fundamentada na análise fílmica e em revisão bibliográfica interdisciplinar. Nesse percurso, foram mobilizadas as críticas de Sérgio Ferro e Rodrigo Lefèvre à lógica do canteiro e às contradições da arquitetura moderna. Também se utilizaram os estudos de Eunice Durham sobre migração e cultura popular no Brasil. No campo cinematográfico, o trabalho dialoga com a semiótica de Sergei Eisenstein e Christian Metz, além das reflexões de Jean-Claude Bernardet sobre o cinema político e de intervenção. Ao investigar como a cidade opera como agente de opressão e apagamento, mas também como documento crítico de sua época, o trabalho busca contribuir para os debates contemporâneos sobre o papel do espaço construído nas disputas por visibilidade, pertencimento e identidade no Brasil urbano.
Palavras-chave
Como citar
VIEIRA SOARES, Ana Elisa. Espaço urbano como violência simbólica em O Homem que Virou Suco. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- Karl Marx, O Capital: Crítica da Economia Política (São Paulo: Boitempo, 2013).
- Christian Metz, A Significação do Cinema (São Paulo: Perspectiva, 1972).
- Sergei Eisenstein, A Forma do Filme (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002).
- Ferro, O Canteiro e o Desenho.
- Henri Lefebvre, O direito à cidade (Lisboa: Edições 70, 1970).

