Improviso e gambiarra: casas de migrantes em filmes paulistas
Resumo
Este estudo investiga as representações de espaços domésticos transitórios no cinema paulista dos anos 1980, tomando como objeto os filmes O homem que virou suco (1981), de João Batista de Andrade, e A hora da estrela (1985), de Suzana Amaral. O cinema brasileiro moderno comumente retrata personagens errantes, sem rumo, deambulando pelas ruas e espaços públicos; no entanto, esta pesquisa se volta aos interiores como expressão de modos de vida precários e de acentuada fragilidade. Nas obras supracitadas, as casas temporárias são hostis, impessoais, marcadas por improvisos e gambiarras como tecnologia, refletindo tanto instabilidades físicas quanto existenciais. Ambos os filmes evidenciam como as habitações transitórias constituem parte essencial da experiência urbana dos personagens migrantes em São Paulo. As cenografias empreendidas nos longas-metragens transformam os interiores em uma espécie de documentação informal de um modo de vida marginal, revelando práticas domésticas e uma memória social da arquitetura do cotidiano, ainda em processo de investigação.
Palavras-chave
Como citar
BLAS, Rafael. Improviso e gambiarra: casas de migrantes em filmes paulistas. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
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