SESC Consolação: estratigrafias de um edifício em transformação

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

O artigo examina o Sesc Consolação como caso exemplar para compreender a arquitetura moderna em sua condição estratificada, cujos valores derivam da leitura crítica das camadas materiais e simbólicas acumuladas ao longo de quase seis décadas. Inaugurado em 1967 e primeiro edifício encomendado pelo Sesc (Serviço Social do Comércio) na capital, o conjunto marcou a transição institucional do reaproveitamento de imóveis adaptados para uma arquitetura concebida em diálogo com arquitetos, capaz de traduzir a ampliação do programa sociocultural da entidade. Projetado por Icaro de Castro Mello, o edifício integrou verticalmente atividades esportivas, culturais e de convivência em estrutura de concreto armado de grandes vãos, com fachada marcada por brise-soleil. Sua trajetória posterior foi caracterizada por intervenções sucessivas — reconfigurações internas, adequações técnicas, mudanças programáticas e atualizações de imagem — que produziram apagamentos e permanências, compondo um mosaico de temporalidades que desafia concepções normativas de autenticidade e integridade. A pesquisa, em andamento, mobiliza fontes primárias, observação direta e análise das dinâmicas institucionais que motivaram tais alterações, buscando compreender o edifício como produto contínuo da ação de múltiplos agentes. Ao deslocar o foco do estado original do edifício para sua historicidade construída, o estudo argumenta que as transformações acumuladas constituem atributos culturais relevantes, cuja leitura crítica é indispensável para orientar práticas de preservação. O caso do Sesc Consolação evidencia a necessidade de abordagens capazes de reconhecer temporalidades sobrepostas e compreender a transformação como componente da condição histórica da arquitetura moderna.

Palavras-chave

Como citar

NADALUTTI, Luiza. SESC Consolação: estratigrafias de um edifício em transformação. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • Carvalho, Preservação da Arquitetura Moderna, 2005, p. 409.
  • Zein, Leituras Críticas, 2023, p. 58.
  • Sesc, Relatórios, 1992.
  • Reichlin, Riflessioni sulla conservazione del patrimonio architettonico del XX secolo, 2001. p. 13. Tradução da autora do original em italiano.