Biofilia em hospitais: o Modernismo humanizado de Lelé
Resumo
Os hospitais contemporâneos são majoritariamente orientados por normas técnicas e sanitárias rigorosas, que priorizam o controle de infecções, a segurança dos pacientes e a eficiência operacional. Embora essenciais, esses parâmetros tendem a gerar ambientes áridos, pouco sensíveis às dimensões afetivas e sensoriais da experiência humana, impactando o bem-estar de usuários e profissionais. Diante dessas limitações, surgem iniciativas que buscam conciliar rigor técnico e humanização, destacando-se no contexto brasileiro a obra de João Filgueiras Lima, o Lelé. Com forte atuação na arquitetura da saúde por meio da Rede Sarah Kubitschek, Lelé integrou industrialização, funcionalidade e conforto ambiental, antecipando de modo pioneiro o conceito de biofilia, a tendência inata de buscar conexão com a natureza. Essa abordagem projetual ganha relevância crescente na arquitetura hospitalar por sua capacidade de reintroduzir qualidades sensoriais, afetivas e ecológicas nos espaços de cuidado. A pandemia de Covid-19 evidenciou a vulnerabilidade dos sistemas de saúde e reforçou a necessidade de ambientes mais resilientes, adaptáveis e sustentáveis. Nesse cenário, estratégias como iluminação e ventilação naturais, somadas à presença de vegetação, revelam-se fundamentais para reduzir o consumo energético, qualificar a experiência dos usuários e favorecer a recuperação. O presente estudo analisa o Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, marco da arquitetura hospitalar brasileira. Inscrito no modernismo tardio, o edifício articula funcionalidade, padronização construtiva e integração ambiental. A investigação mapeia suas zonas de criticidade segundo a RDC nº 50/2002, identificando como estratégias biofílicas são incorporadas em cada nível de complexidade. Ao evidenciar a biofilia como mediadora entre técnica e afeto, a pesquisa reforça a importância de diretrizes que valorizem a natureza não como ornamento, mas como elemento funcional, sustentável e humanizador. Assim, o legado de Lelé demonstra a possibilidade de conciliar rigor normativo e sensibilidade ambiental, apontando caminhos para hospitais mais integrados à natureza, acolhedores e resilientes.
Palavras-chave
Como citar
STEFANI, Jagna. Biofilia em hospitais: o Modernismo humanizado de Lelé. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
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