A construção de Brasília: rodoviarismo e simbolismo nacional

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Este artigo busca analisar o papel de ícones da modernidade como meios de transporte, produções audiovisuais e o ideário arquitetônico e urbanístico modernista na formação identitária de Brasília. Entende-se que o plano de desenvolver o interior do país e promover uma mudança política e econômica trouxe grandes transformações no território brasileiro durante o período JK, relacionando-se com a construção da nova capital. Sob a influência dos conceitos de planejamento urbano e arquitetura modernos, Brasília representou a materialização de uma utopia em diferentes âmbitos. Os meios de comunicação direcionavam esforços para a construção da ideia da nova capital como símbolo de progresso e modernidade, enquanto políticas rodoviaristas em escala nacional promoviam sua integração com o resto do território, popularizando a ideia de uma nova vida possível no centro do país. Assim, busca-se explorar como a modernidade em suas múltiplas formas desempenhou papel fundamental na criação de uma nova identidade, trazendo Brasília como a concretização de um projeto político-ideológico de integração e modernização nacional. 1. INTRODUÇÃO O presente artigo busca analisar o papel de ícones da modernidade como meios de transporte, produções audiovisuais e o ideário arquitetônico e urbanístico modernista na formação identitária de Brasília, a partir do entendimento de que a monumentalidade e o rodoviarismo foram protagonistas na construção da paisagem simbólica da capital. Ao longo do século XX, a difusão dos conceitos de planejamento urbano e arquitetura modernos potencializou o uso da paisagem como expressão identitária. No Brasil, o plano de desenvolver o interior do país, aliado a mudanças políticas e econômicas, motivou o então presidente Juscelino Kubitschek a erguer Brasília, a nova capital, entre 1957 e 1960. Para concretizar uma paisagem simbólica e empoderadora, foi elaborado um concurso para o projeto urbano de Brasília. O arquiteto Oscar Niemeyer foi encarregado de conceber os monumentos que dariam destaque ao caráter cerimonial do locus do poder, enquanto o Plano Piloto de Lucio Costa foi escolhido pelo júri por incorporar a ideia de uma capital moderna e simbólica. Técnicas rodoviaristas e setorizações conferiram ao projeto de Lucio Costa extrema racionalidade, coerência e simplicidade. Com o cruzamento de dois eixos — Monumental e Rodoviário — foi concebido o partido de Brasília, cujo processo de construção foi amplamente divulgado e financiado pelo próprio Estado. A materialização da utopia moderna convidava pessoas de todo Brasil e do mundo a conhecerem Brasília. A evolução dos meios de comunicação e de tecnologias como revistas, rádio e televisão permitiu que a imagem de “capital do futuro” se consolidasse rapidamente. Paralelamente, grandes investimentos rodoviaristas viabilizavam o deslocamento até Brasília, popularizando uma nova vida possível na capital. Portanto, Brasília exemplifica como o espaço simbólico construído pode revelar a paisagem urbana como transmissora de ideais. A modernidade em suas múltiplas formas desempenhou papel fundamental na criação de uma nova identidade atrelada a grandes transformações, trazendo Brasília como a concretização de um projeto político-ideológico de integração nacional.

Palavras-chave

Como citar

JANNUZZI, Victoria. A construção de Brasília: rodoviarismo e simbolismo nacional. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

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