O plano de ação como promotor da modernização paulista

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

A concepção política instituída como plano de governo ao longo do mandato de Carvalho Pinto (1959-1963), no estado de São Paulo, teve sua formulação fortemente baseada no movimento Economia e Humanismo – doutrina instituída pelo padre dominicano Lebret, nos anos de 1940, pautada numa visão integrada de conceitos sociais e econômicos. O Plano de Ação do Governo do Estado (PAGE), como ficou conhecida a proposta, buscava, a partir de demandas necessárias à reorganização da economia, determinar ações de desenvolvimento e, mais do que isso, prever custos para sua execução. Enquanto plano de governo, o PAGE possuía uma dimensão técnica baseada nas condições administrativas, sociais e financeiras paulistas, caracterizando-se por um plano de investimentos, tendo o Estado como grande promotor das ações. Em sua elaboração, somado aos preceitos de industrialização e de intervencionismo estatal, de cunho desenvolvimentista, o progresso material era proposto associado ao social. E, coerente acerca da promoção de uma política nacional modernizante em conformidade com a modernização industrial, o Plano assumiu um papel estratégico no modernismo cultural e social do estado e da sociedade com a difusão de equipamentos públicos, projetos, ideias, fundos econômicos, orçamentos e ações. Prova disso são as soluções arquitetônicas de seus projetos – de usos diversos como fóruns, escolas, edifícios do ensino superior, hospitais, centros de pesquisas, casas de lavouras etc. –, cuja linguagem empregada foi moderna. Assim sendo, a participação do Estado na materialização cultural de uma identidade arquitetônica no caso do Plano de Ação é sobrepujante e caracteriza-se como determinante de um expressivo plano estratégico governamental responsável pela elaboração de um conjunto de obras modernas instaladas em São Paulo. Por essa razão, sua valorização e reconhecimento fazem-se necessários. O não reconhecimento do Plano na historiografia da arquitetura moderna possibilita o desmonte, a descaracterização e mesmo a demolição de exemplares modernos variados à revelia.

Palavras-chave

Como citar

FACHI, Fernanda Millan. O plano de ação como promotor da modernização paulista. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • Angelo, Michelly Ramos de. Louis-Joseph Lebret e a SAGMACS: a formação de um grupo de ação para o planejamento urbano no Brasil. São Paulo: Alameda, 2013.
  • Bosi, Alfredo. Economia e Humanismo. Revista Estudos Avançados. São Paulo, n. 26, p. 249-266. 2012.
  • Buzzar, Miguel Antonio. João Batista Vilanova Artigas: elementos para a compreensão de um caminho da arquitetura brasileira, 1938-1967. São Paulo: Editora Unesp; Editora Senac São Paulo, 2014.
  • Buzzar, Miguel Antonio; Cordido, Maria Tereza Regina Leme de Barros; Simoni, Lucia Noemia. A Arquitetura Moderna produzida a partir do Plano de Ação do Governo Carvalho Pinto – PAGE (1959-1963). Revista arq.urb. São Paulo, n. 14, 2° sem. 2015.
  • Camargo, Mônica Junqueira de. Inventário dos bens culturais relativos ao Plano de Ação do Governo Carvalho Pinto (1959-1963). Revista CPC, São Paulo, n. 21 especial, 1 semestre 2016. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/cpc/article/view/111965> Acesso em: 23 de setembro de 2021.
  • Fachi, Fernanda Millan; Silva, Jasmine Luiza Souza; Buzzar, Miguel Antonio. O Plano de Ação enquanto agente e promotor da arquitetura moderna. In: XV Seminário Docomomo Brasil, 2024, São Carlos/ São Paulo. Anais do XV Seminário Docomomo Brasil: Arquitetura e urbanismo e a reconstrução do Estado e da sociedade, 2024. p. 1-12.
  • Lamparelli, Celso Monteiro. Louis-Joseph Lebret e a pesquisa urbano-regional no Brasil: crônicas tardias ou história prematura. Cadernos de Pesquisa do LAP – série Urbanização e Urbanismo, São Paulo, n. 5, p. 1-33, mar./abr. 1995.
  • São Paulo. Mensagem apresentada pelo governador Carlos Alberto A. de Carvalho Pinto à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 14 de março de 1960. São Paulo: Imprensa Oficial, 1960b.
  • São Paulo. Plano de Ação do Governo 1959-1963: administração estadual e desenvolvimento econômico-social. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1959.