Patrimônio Moderno: preservação como estratégia de redução de GEE
Resumo
Vivemos em uma fase crítica da crise climática, na qual cerca de 40% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) provêm da construção, manutenção e uso dos edifícios. Embora vários esforços busquem mitigar essas emissões no setor de Arquitetura, Engenharia, Construção e Operações (AECO), o ato de construir permanece como a principal fonte de impacto. A preservação do patrimônio construído traz um valor ambiental significativo, pois reduz a necessidade da demolição e a construção de novas edificações, alinhando-se à ideia de consumo responsável por meio da reabilitação e do prolongamento da vida útil dos edifícios. Portanto, preservar construções existentes ajuda a reduzir a emissão de GEE. No Brasil, edifícios modernos — mesmo aqueles bem conservados e em uso — enfrentam problemas como manutenção inadequada e desvalorização patrimonial. Um caminho para destacar sua importância, além do valor histórico, é calcular o Carbono Incorporado (CI), que representa as emissões de GEE durante o ciclo de vida do edifício, por meio da quantificação dos materiais usados na construção.Ferramentas modernas como o Building Information Model (BIM) permitem a modelagem digital dos edifícios, facilitando a quantificação dos materiais e suas emissões de CI. Aliado à Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), baseada nas normas ISO 14040/44, o BIM possibilita a análise dos impactos ambientais nas fases de produção, transporte e construção. Este artigo apresenta uma metodologia simplificada para calcular o CI de edifícios modernos, utilizando o modelo BIM, com foco no Bloco Principal do edifício Jorge Moreira Machado (JMM), localizado na Cidade Universitária do Rio de Janeiro. Com dados obtidos de desenhos técnicos originais da UFRJ, a análise concentrou-se na estrutura de concreto, resultando em emissões entre 403,49 e 605,23 kgCO₂-eq/m², valores altos para construções contemporâneas. Reconhecer o carbono já incorporado evidencia que a demolição e substituição desses edifícios geraria emissões desnecessárias, reforçando argumentos para sua conservação em prol da sustentabilidade e resiliência climática. A metodologia pode ser replicada em outras pesquisas para formar uma base de dados que apoie a preservação com foco na mitigação das mudanças climáticas.
Palavras-chave
Como citar
ILG, Thomas; CALDAS, Lucas. Patrimônio Moderno: preservação como estratégia de redução de GEE. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
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