Patrimônio Moderno: preservação como estratégia de redução de GEE

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Vivemos em uma fase crítica da crise climática, na qual cerca de 40% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) provêm da construção, manutenção e uso dos edifícios. Embora vários esforços busquem mitigar essas emissões no setor de Arquitetura, Engenharia, Construção e Operações (AECO), o ato de construir permanece como a principal fonte de impacto. A preservação do patrimônio construído traz um valor ambiental significativo, pois reduz a necessidade da demolição e a construção de novas edificações, alinhando-se à ideia de consumo responsável por meio da reabilitação e do prolongamento da vida útil dos edifícios. Portanto, preservar construções existentes ajuda a reduzir a emissão de GEE. No Brasil, edifícios modernos — mesmo aqueles bem conservados e em uso — enfrentam problemas como manutenção inadequada e desvalorização patrimonial. Um caminho para destacar sua importância, além do valor histórico, é calcular o Carbono Incorporado (CI), que representa as emissões de GEE durante o ciclo de vida do edifício, por meio da quantificação dos materiais usados na construção.Ferramentas modernas como o Building Information Model (BIM) permitem a modelagem digital dos edifícios, facilitando a quantificação dos materiais e suas emissões de CI. Aliado à Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), baseada nas normas ISO 14040/44, o BIM possibilita a análise dos impactos ambientais nas fases de produção, transporte e construção. Este artigo apresenta uma metodologia simplificada para calcular o CI de edifícios modernos, utilizando o modelo BIM, com foco no Bloco Principal do edifício Jorge Moreira Machado (JMM), localizado na Cidade Universitária do Rio de Janeiro. Com dados obtidos de desenhos técnicos originais da UFRJ, a análise concentrou-se na estrutura de concreto, resultando em emissões entre 403,49 e 605,23 kgCO₂-eq/m², valores altos para construções contemporâneas. Reconhecer o carbono já incorporado evidencia que a demolição e substituição desses edifícios geraria emissões desnecessárias, reforçando argumentos para sua conservação em prol da sustentabilidade e resiliência climática. A metodologia pode ser replicada em outras pesquisas para formar uma base de dados que apoie a preservação com foco na mitigação das mudanças climáticas.

Palavras-chave

Como citar

ILG, Thomas; CALDAS, Lucas. Patrimônio Moderno: preservação como estratégia de redução de GEE. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • Bruand, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1981.
  • Caldas, Lucas Rosse, Silva, L.C., Siqueira, T.P., Toledo Filho, R. Descarbonização e Política Industrial: Desafios para a Cadeia do Cimento.Rio de Janeiro: Instituto de Economia - UFRJ, 2025.
  • Carvalho, Claudia Suely Rodrigues de. Preservação da arquitetura moderna: edifícios de escritórios no Rio de Janeiro construídos entre 1930-1960. Tese de Doutorado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2006.
  • Castriota, Leonardo Barci, e Flávio de Lemos Carsalade. “Os desafios da preservação do moderno: a atuação do ICOMOS/BRASIL.” Cadernos PROARQ 38 (2022): 34–51.
  • Clarimundo, Marcella. Avaliação de Emissão de Carbono de uma Edificação Completa: análise comparativa entre dados de projeto e obra. Dissertação de Mestrado em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Brasília, 2025.
  • Corbella, Oscar, e Simos Yannas. Em Busca de uma Arquitetura Sustentável para os Trópicos. Rio de Janeiro: Revan, 2009.
  • Cordeiro, Patricia Cavalcante. Imagem e Substância na Preservação da Arquitetura Moderna: o edifício Jorge Machado Moreira. Tese de Doutorado em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2024.
  • Eastman, Chuck, Rafael Sacks, Paul Teicholz, e Lee Ghang. Manual BIM. Porto Alegre: Bookman, 2014. IPCC. Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Core Writing Team, H. Lee, e J. Romero, eds. Geneva: IPCC, 2023.
  • Labadi, Sophia, Francesca Giliberto, Ilaria Rosetti, Linda Shetabi, e Ege Yildirim. Heritage and the Sustainable Development Goals: Policy Guidance for Heritage and Development Actors. Paris: ICOMOS, 2021.
  • Lucas, Christine Pinto, e Leopoldo Eurico Gonçalves Bastos. “O valor bioclimático na arquitetura moderna tropical.” Arquitextos, ano 21, n. 251.05. São Paulo: Vitruvius, abril 2021.
  • Röck, Martin, Marcella Ruschi Mendes Saade, Maria Balouktsi, Freja Nygaard Rasmussen, Harpa Birgisdottir, Rolf Frischknecht, Guillaume Habert, Thomas Lützkendorf, and Alexander Passer. “Embodied GHG Emissions of Buildings – The Hidden Challenge for Effective Climate Change Mitigation.” Applied Energy 258 (January 15, 2020).
  • UNEP; Global Alliance for Buildings and Construction. Not Just Another Brick in the Wall: The Solutions Exist — Scaling Them Will Build on Progress and Cut Emissions Fast. Global Status Report for Buildings and Construction 2024/2025. Nairobi: UNEP, 2025.