Imaginaries of the Primitive Hut in Brazilian Modernism

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Em um artigo publicado em 2009 na revista POS, explorei as múltiplas definições da noção de tectônica em arquitetura, destacando a contribuição das teorias de Gottfried Semper e Kenneth Frampton para a construção de discursos sobre a cultura construtiva. O arquétipo da cabana primitiva aparece simultaneamente como fundamento antropológico das origens da ornamentação, das técnicas construtivas e do simbolismo arquitetônico, e como uma tradição duradoura que permeia a história da arquitetura. À luz de uma leitura cruzada de debates históricos e contemporâneos, esta comunicação examina ocorrências raras, porém significativas, do imaginário da cabana primitiva e de técnicas construtivas ancestrais no modernismo brasileiro. Analisamos dois projetos emblemáticos: o pavilhão de Oscar Niemeyer no Parque do Ibirapuera (São Paulo, 1951), no qual a forma da oca se insinua em uma linguagem modernista — associação reforçada pela recepção pública da obra — e o conjunto habitacional de Acácio Gil Borsoi em Cajueiro Seco (Recife, 1963), que emprega a técnica da taipa em um sistema de pré-fabricação voltado à habitação social. Esses exemplos ilustram como o imaginário das arquiteturas vernaculares alimentou a reflexão e a prática modernistas, permeando tanto o imaginário coletivo quanto a concepção arquitetônica. Ao mobilizar esses dois casos, argumentamos que a cabana primitiva operou como figura crítica no modernismo brasileiro, renovando a compreensão das relações entre modernidade, tradição e identidade cultural, e abrindo novas perspectivas sobre a cultura construtiva da arquitetura moderna no Brasil.

Como citar

AMARAL, Izabel Fraga do. Imaginaries of the Primitive Hut in Brazilian Modernism. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

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