IAUS: produção e transição cultural, desígnios e temporalidades
Resumo
Este trabalho está inserido nas discussões da teoria e historiografia da arquitetura contemporânea com foco no Institute for Architecture and Urban Studies (IAUS ou Instituto) entre as décadas de 1960 e 1980. O recorte é parte integrante de uma pesquisa de tese de doutorado (em andamento) e possui como objetivo principal discorrer a respeito do percurso institucional do IAUS, e o contexto de formação dos programas educacionais, editoriais e culturais. A partir da ideia de que o Instituto constituiu um epicentro de produção cultural da arquitetura na cidade de Nova York (EUA), este artigo enfatiza o processo de fundação e consolidação da diversidade de atividades desempenhadas: pesquisa acadêmica, projetos práticos, atuação em educação (em diferentes níveis de escolaridade), centro cultural de exposições e editora de revistas e livros. A produção teórica e cultural do Instituto viria impactar o campo do ensino em arquitetura internacionalmente. O Instituto operou no período de 1967 a 1985, e esteve sob a direção de Peter Eisenman até 1982. Constantemente referenciado como um “meio do caminho entre a academia e o mercado”, o IAUS foi uma organização não-lucrativa de atuação independente nos moldes de um think tank (nos primeiros anos). Esta característica possibilitou que, ao longo do tempo, realizasse mudanças estratégicas visando a manutenção de suas operações frente as alterações econômicas e sociais das décadas de 1960 e 1970, nos EUA. Para tanto, o Instituto se valeu lógica organizacional pós-moderna e apoiou-se na cultura da atenção, visando manter e ampliar financiamentos necessários ao desenvolvimento de pesquisas e produções teóricas. A partir deste entendimento, a literatura acadêmica identifica momentos temporais de inflexão, nos quais o IAUS redirecionou as atividades e atuou em diferentes áreas, a fim de adaptar-se as alterações externas e internas. As atividades da organização podem ser divididas em 04 grandes campos de atuação: “escritório de projetos”, “escola de arquitetura”, “editora profissional” e “centro cultural”. Tendo em vista esta divisão, percebemos a complexidade da estrutura interna do Instituto, a qual torna-se ainda mais diversificada quando considerada frente a relevante produção do discurso teórico no campo da arquitetura, design e artes, dentro e fora dos limites americanos. Temporalmente, diferentes autores propõem observar a trajetória do Instituto por intervalos distintos (03 ou 04 fases) de acordo com o estágio de maturidade organizacional frente ao cenário político e econômico externo. Esta subdivisão temporal reflete as principais mudanças internas do Instituto e visa facilitar a compreensão da diversidade de atividades empreendidas ao longo do funcionamento do Instituto. Dentre as principais atividades desenvolvidas pela organização, podemos destacar durante os primeiros anos, a atribuição de “escritório e ateliê” que tinha a finalidade de elaboração de projetos práticos com estudos urbanísticos e habitacionais. A organização e curadoria de exposições (dentro e fora do espaço físico do Instituto), programas educacionais e abertos ao público geral (Undergraduate Program, Evening Program, Open Plan, Intership Program, entre outros), editoração de publicações como revistas (Oppositions, Skyline e October), a Série de Catálogos de Exposições do IAUS e livros (selo Oppositions books). Assim, este trabalho propõe uma leitura transversal histórica do Instituto com o objetivo de traçar o panorama de sua estrutura, pontos de inflexão nas mudanças organizacionais e a experiência no campo educacional, editorial e projetual. As estratégias adotadas para solvência financeira e continuidade das operações do Instituto serviram como pano de fundo, cenário e palco, ideais para a construção da “nova teoria” descrita por Peter Eisenman em sua tese de doutorado “The Formal Basis of Modern Architecture” (1963). No ano de 1985, 17 anos após a fundação, o Instituto havia produzido obras seminais que ajudaram a elucidar a arquitetura americana da primeira metade do século XX, assim como ajudou a desvelar a crítica radical à arquitetura moderna e a produção da arquitetura pós-moderna. Estas publicações não só reavaliaram criticamente o movimento moderno pós-segunda Guerra Mundial (tema em alta no período de fundação), mas também enriqueceram os debates por meio da proposição de novos diálogos frente a outras abordagens, a citar: o “populismo” de Robert Venturi (americano) ou o “historicismo” de Aldo Rossi (italiano). Por fim, este artigo é subdividido duas sessões: A primeira sessão se apresenta as fases temporais e desígnios identificados na literatura para descrever as principais atividades do Instituto e seus atores. A segunda, parte da análise inicial da pesquisa de doutorado, propõe cruzar estas temporalidades com as áreas de atuação do IAUS visando estabelecer a chave de leitura para o argumento deste artigo.
Palavras-chave
Como citar
DUARTE, Yuri de Souza. IAUS: produção e transição cultural, desígnios e temporalidades. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
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