Aprendendo com a Arquitetura Moderna: o projeto do Paulo para o concurso do Centro Pompidou
Resumo
Na entrevista que acompanha a publicação do projeto do Centro Pompidou na Revista Caramelo, Paulo Mendes da Rocha afirma que fazer arquitetura é navegar “neste campo de construir alguma coisa que sonhamos”. Embora não seja necessariamente uma má definição de arquitetura, ela evoca, no contexto do Brutalismo brasileiro ao qual se havia filiado o primeiro Paulo, a intenção brutalista de criar um “mundo novo” (nas palavras de Vilanova Artigas), não somente através da arquitetura, mas concebendo a própria arquitetura como um pequeno grande mundo novo. Apesar de genérica, essa definição cabe perfeitamente no projeto do Centro Pompidou, proposto como uma pequena cidade utópica superior à cidade e ao centro histórico nos quais se insere, permeável, mas mais fechada que aberta (física e metaforicamente), mais bruta que encantadora. Entretanto, o projeto do Centro Pompidou é mais que uma simples materialização do sono dogmático da razão brutalista. Além de sonhar para si mesmo, ele também incorpora a realidade empírica, complexa e dinâmica, do contexto histórico da cidade que, por sua vez, pretende orgulhosamente, ou messianicamente superar. A fluidez do interior que, nas palavras do próprio Paulo, estabelecem a continuidade entre o interior e um exterior variado e dinâmico revelam que o Pompidou do Paulo bebeu também, e muito, na fonte da Arquitetura Moderna Brasileira, e no Niemeyer em particular, cujo museu de Caracas é igualmente a fonte bem evidente do volume em pirâmide invertida do Pompidou. Em suma, o projeto do Pompidou mostra claramente que Paulo Mendes da Rocha tinha aprendido e continuava aprendendo com a Arquitetura Moderna enquanto sonhava o sonho do Brutalismo. E também que era preciso continuar aprendendo com a Arquitetura Moderna para, quando o sonho acabasse, tornar-se “moderno e eterno ao mesmo tempo” (Carlos Eduardo Comas).
Palavras-chave
Como citar
PUPPI, Marcelo. Aprendendo com a Arquitetura Moderna: o projeto do Paulo para o concurso do Centro Pompidou. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- COMAS, Carlos Eduardo. “Moderna (1930 a 1960)”. Em: Arquitetura Brasil 500 anos, ed. R. Montezuma. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2002.
- ZEIN, Ruth Verde. “Brutalismo, sobre sua definição”. Arquitextos, nº 084.00, maio 2007.
- ARTIGAS, João Batista Vilanova. Caminhos da Arquitetura, eds. José Tavares Correia de Lira e Rosa Artigas. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
- COMAS, Carlos Eduardo. “Paulo Mendes da Rocha: o prumo dos 90”. AU: Arquitetura e Urbanismo, nº 97, ago/set 2001: 102-109.
- “Entrevista com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha – Novembro/90”. Revista Caramelo, nº 1, dez. 1990: 30-35.

