O depoimento de Oscar Niemeyer: procedimentos e processos projetuais
Resumo
Este artigo analisa o Depoimento de Oscar Niemeyer, publicado em 1958, como momento de revisão crítica de sua prática projetual. O texto expressa não apenas uma reflexão teórica, mas a síntese de transformações já em curso na obra do arquiteto.
A trajetória é examinada desde a Pampulha, onde Niemeyer construiu um vocabulário formal singular, até obras posteriores que exigiram concisão e maior coesão. O Museu de Arte Moderna de Caracas e o Conjunto do Ibirapuera revelam a transição para uma arquitetura de gestos totais, marcada pela depuração de elementos e pela síntese entre programa, forma e estrutura.
O crescimento urbano de São Paulo e a atuação no mercado imobiliário ampliaram a escala das encomendas e levaram à reorganização do escritório, introduzindo dinâmica empresarial e delegação de tarefas sem perda da centralidade autoral.
Brasília constituiu o ápice desse processo. Trabalhando sob forte pressão de tempo e recursos, Niemeyer formulou partidos arquitetônicos vigorosos que se converteram diretamente em obras monumentais. A experiência internacional posterior reafirmou o croqui como centro de sua prática.
O Depoimento evidencia, assim, a arquitetura como atividade de síntese, em que teoria e prática se articulam e as limitações se transformam em oportunidade de depuração formal.
Palavras-chave
Como citar
OLIVEIRA, Victor. O depoimento de Oscar Niemeyer: procedimentos e processos projetuais. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
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