Pós-Sevilha: entre diálogos e continuidades modernas em coletivo
Resumo
Este artigo busca debater a retomada de uma arquitetura moderna de matriz paulista, presente no projeto vencedor para a Expo Sevilha em 1991, como marco a partir do qual interpretar a genealogia na produção contemporânea representada na exposição Coletivo, de 2006. A partir do método de pesquisa histórica, o artigo parte da revisão bibliográfica do período e da investigação em periódicos especializados, a fim de interpretar ambos os eventos aqui propostos a partir de um eixo de continuidade em uma produção contemporânea, que, ao longo das décadas, assume um papel de destaque, seja nas revistas especializadas, nos concursos públicos ou no panorama internacional, compreendendo a Exposição Coletivo como um dos desdobramentos reabertos a partir de Sevilha. A herança de Artigas e Paulo Mendes da Rocha, presentes no discurso e projeto da proposta vencedora para Sevilha, marcou não só a retomada de um legado, mas também ampliou o campo de reflexão para aquilo que se configuraria mais tarde no andamento da produção arquitetônica contemporânea. De continuidades diretas, entre elas o próprio projeto vencedor para Sevilha, ou a partir de uma série de reinterpretações presentes quanto ao uso de materiais, detalhes e técnicas construtivas, o grupo de arquitetos arrolados na exposição Coletivo parece não se esquivar da cultura arquitetônica da qual emergem. Nota-se uma continuidade dentro de sua própria tradição, a partir de um esforço para uma reavaliação da produção moderna paulista, sem romper com uma ética, mas sim, de ampliar o campo da produção e da reflexão arquitetônica.
Palavras-chave
Como citar
FREITAS, Tatiani Amadeu de. Pós-Sevilha: entre diálogos e continuidades modernas em coletivo. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
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