Arquitetura depois do Brutalismo em Curitiba

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Estudo da arquitetura desenvolvida em Curitiba após o Brutalismo, cujos projetos criticam o racionalismo do Movimento Moderno incorporando outras linguagens e referências. A contestação da arquitetura moderna teve início nos últimos CIAMs. Para Kenneth Frampton o Regionalismo Crítico interpreta pressupostos modernistas com realidades locais e para Aldo Rossi, “a cidade é um artefato que cresce no tempo”. O espírito rebelde da contracultura também influenciou esta geração. Os arquitetos do Grupo do Paraná atuaram no IPPUC, no desenvolvimento do Plano Preliminar de Curitiba, que tinha entre outras premissas, a valorização do centro histórico e a procura de uma identidade para a cidade. As casas de imigrantes poloneses e italianos, principalmente as populares casas de madeira de tábua, fazem parte destas pesquisas. Othelo Lopes Filho inspirou-se na arquitetura vernacular no projeto de sua residência. Para o Setor de Projetos do IPPUC, Mauro Magnabosco reciclou uma antiga serraria existente no terreno. Osvaldo Navarro reutilizou antigos postes de madeira para construir sua casa em um lote com bosque natural. Essas concepções aparecem de forma mais elaborada na Unilivre, de Domingos Bongestabs, executada junto a um bosque e uma pedreira desativada. Com a mesma simplicidade construtiva, implantada em terreno com características semelhantes, a Ópera de Arame foi executada com tubos de aço. Em meados de 1980 as publicações sobre Pós-modernismo incentivaram os alunos da UFPR e PUCPR, a se contrapor ao ensino brutalista dos professores. Nos edifícios da iniciativa privada predominaram referencias historicistas e no IPPUC o Paranismo. Este movimento regional da década de 1920, buscava uma identidade regional tendo o pinheiro como elemento icônico. A Casa da Memória e o Memorial da Cidade, no centro histórico; e as diversas Ruas da Cidadania apresentam referencias paranistas, características predominantes nos projetos de uso público nas décadas de 1980 e 1990.

Como citar

GNOATO, Luís Salvador. Arquitetura depois do Brutalismo em Curitiba. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

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