Acervos de Arquitetura no Brasil: desafios e potencialidades

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Este artigo discute a relevância dos acervos de arquitetura e urbanismo para a preservação da memória cultural e para a compreensão dos processos criativos, técnicos, políticos, estéticos e sociais da produção arquitetônica, analisando suas potencialidades e os desafios de conservação no contexto brasileiro. Caracterizados por grande diversidade de suportes — plantas, croquis, maquetes, objetos de construção, livros, obras de arte e materiais coletados em pesquisa — esses acervos demandam tratamentos específicos de salvaguarda. Exemplos como o acervo de Roberto Burle Marx evidenciam sua complexidade multidisciplinar, mostrando que tais coleções não são apenas repositórios técnicos, mas espaços de memória e investigação que articulam diferentes áreas do conhecimento e valorizam o patrimônio cultural, técnico e artístico.

Ao explorar a situação desses acervos no Brasil, o artigo identifica desafios centrais, como a ausência de instituições adequadas para tratamento, guarda, divulgação e exposição. Essa lacuna resulta em documentos dispersos e vulneráveis, dificultando o acesso e a pesquisa. Arquivos e bibliotecas tradicionais não são concebidos para lidar com a natureza híbrida desses materiais, que combinam elementos arquivísticos, bibliográficos e museológicos.

A insuficiência institucional é analisada à luz da nova definição de museu do ICOM, que enfatiza não apenas colecionar e conservar, mas também expor e interpretar acervos. O estudo também discute os efeitos de processos neocolonizantes na evasão de acervos para o exterior, como os de Paulo Mendes da Rocha e Lucio Costa, gerando perdas simbólicas e culturais. Outros entraves incluem fragmentação, descarte e baixa valoração de acervos privados, agravados pela pouca difusão pública e pela proximidade temporal da produção moderna.

Apesar desses obstáculos, o artigo destaca o potencial desses acervos como pilares de um ecossistema cultural que integra ensino, pesquisa, produção e preservação. Por fim, aponta caminhos para sua salvaguarda, ressaltando seu valor cultural e econômico para o país.

Palavras-chave

Como citar

SARMENTO, Luiz Eduardo. Acervos de Arquitetura no Brasil: desafios e potencialidades. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • Bhaskar, Michael. Curadoria: o poder da seleção no mundo do excesso. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2020.
  • Ficher, Sylvia. “Ensino, documentação e pesquisa.” Em Ensino e pesquisa em Arquitetura na América Latina, 10º CLEFA. São Paulo: FAU-USP, 1983. Republicado em Projeto, nº 114 (setembro 1988): 135–140.
  • Ficher, Sylvia. “Historiografia e documentação.” Em Arquitetura e documentação: novas perspectivas para a história da arquitetura, 251–259. Belo Horizonte: IEDS; São Paulo: Annablume, 2011.
  • Lira, José T. C., Juliana Delecave, Victor Próspero e Juliana Fiammenghi. “Acervos, histórias e arquiteturas: notas sobre ensino e pesquisa.” Em Arquivos, historiografias da arquitetura e do urbanismo e memórias da cidade, editado por Ana Castro, Joana Mello e Everaldo Costa, 93–107. São Paulo: FAU-USP, 2021.
  • Sarlo, Beatriz. A cidade vista: mercadorias e cultura urbana. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2014.
  • Stevens, Garry. O círculo privilegiado: fundamentos sociais da distinção arquitetônica. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2003.