O que podem os documentos privados? O arquivo de Rachel Sisson

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

A partir da demanda familiar e da preocupação coletiva sobre a importância da produção técnica e cultural de não esquecer épocas de crises sociais e apagamentos deliberados, este artigo narra o processo de cuidado do arquivo da historiadora da arte, arquiteta, fotógrafa, cineasta e urbanista Rachel Sisson (1928-2023). Limpar, acondicionar e organizar o arquivo nos levou a desvelar: o que pode entregar um arquivo feminino, da última metade do século XX, ao saber técnico e cultural atual? Limpando papéis, cartas, recortes de jornais, organizando e guardando fotografias, negativos e contatos. Assim como abrindo, catalogando e guardando livros, cadernos e revistas, foi possível perceber a abrangência de interesses do mundo de uma intelectual, a qual buscava sempre questionar o que lia, mas também o que produzia e observava à sua volta. Com essas primeiras aproximações ao mundo material e social da Sisson, conjuntos de nuvens começam a formar uma biografia intelectual a partir do material organizado. Nessas pequenas nuvens de um arquivo, todos os seus documentos possuem histórias a serem reveladas sobre uma determinada época, sobre uma forma de ser mulher, pensar e construir conhecimento para o campo da Arquitetura e do Urbanismo. Afinal, o arquivo é tomado aqui como um discurso a ser decifrado. Assim, discutir e refletir sobre o arquivo da arquiteta Rachel Sisson é uma possibilidade de pensar sobre o processo intelectual e exige reconstruir o campo cultural da própria história da Arquitetura e Urbanismo, não vista apenas em termos de oposições ou conflitos, mas em um sistema de acontecimentos e relações dinâmicas que mudam a configuração variável do jogo (Pereira, 2000).

Palavras-chave

Como citar

TEJERO BAEZA, Pilar; MELLO DIAS, Ligia Maria. O que podem os documentos privados? O arquivo de Rachel Sisson. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • Belarmino, Camila. A mulher na arquitetura e no urbanismo: trajetórias profissionais entre as décadas de 1910 e 1960 no Rio de Janeiro. São Carlos: IAU USP, 2024, p. 44.
  • Pereira, Margareth da Silva. “O lugar contingente da história e da memória na apreensão da cidade - O historiador, o estrangeiro e as nuvens”. Redobra, n.44.13, ano 5, (2013), p.16-18.
  • Barbosa, V. Canongia. “Um estudante em viagem”. Habitat, n.8 (1951), p. 26-30,1
  • IAB GB . “IAB-GB julga acusação de plágio”. Arquitetura, n. 45, (1966), p. 23-24.