Inventariar para existir: o acervo pessoal de Chu Ming Silveira
Resumo
Chu Ming Silveira (Xangai, 1941 – São Paulo, 1997) foi uma arquiteta sino-brasileira formada pela Universidade Mackenzie em 1964. Foi uma profissional multifacetada, reconhecida internacionalmente pela criação dos protetores telefônicos, popularmente conhecidos como “Orelhinha” e “Orelhão”, ícones do design urbano brasileiro. Além do mais, atuou na Companhia Telefônica Brasileira (CTB), na Serete S.A. e no Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores (CNEC), desenvolvendo projetos de grande porte. A partir dos anos 1970, dedicou-se ao próprio escritório, destacando-se com obras brutalistas e com o estilo “pós-caiçara”, inspirado no Feng Shui. Apesar de sua relevância para a cultura arquitetônica paulista e brasileira, sua trajetória ainda é pouco estudada. A pesquisa realizada ao longo do último ano, orientada pela Prof.ª Dr.ª Mônica Junqueira de Camargo, dedica-se à inventariação de seu acervo pessoal, localizado na Casa do Morumbi. Visitas semanais, intermediadas pelo filho da arquiteta, Djan Chu, permitiram a catalogação de desenhos, fotografias, documentos e bibliografia, com foco nas categorias “Desenhos” e “Documentos paralelos”, por seu potencial de revelar métodos projetuais e contexto profissional. O estudo, portanto, busca contribuir para o reconhecimento de Chu Ming Silveira e para o debate sobre a preservação e valorização de acervos não institucionalizados na historiografia da arquitetura brasileira.
Palavras-chave
Como citar
NARIÇAWA, Julia. Inventariar para existir: o acervo pessoal de Chu Ming Silveira. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- Abrunhosa, Eduardo, e Maria Breia. “Faculdade de arquitetura Mackenzie: origens e transformações.” In Arquitetura Mackenzie 100 anos – FAU-Mackenzie 70 anos: pioneirismo e atualidade, 95. São Paulo: Editora Mackenzie, 2017.
- Albernaz, Maria Paula, e Cecília Modesto Lima. Dicionário ilustrado de arquitetura. 2. ed. São Paulo: ProEditores, 2000. Associação dos Arquivistas Holandeses. Manual de arranjo e descrição de arquivos. Traduzido por Manoel Adolpho Wanderley. 2. ed. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1973.
- Bastos, Maria Alice Junqueira, e Ruth Verde Zein. Brasil: arquiteturas após 1950. São Paulo: Perspectiva, 2010.
- Costa, Eduardo Augusto. “Lúcio Costa na Europa: o papel dos acervos e a arquitetura brasileira.” Novos Estudos CEBRAP 41, no. 2 (maio/agosto 2022): 371–386. <https://novosestudos.com.br/produto/edicao-123/> Acesso em 30 de agosto de 2025. <https://doi.org/10.25091/S01013300202200020010>
- Curtis, William J. R. Arquitetura moderna desde 1900. 3ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2008.
- Fillion, Chantale. “Os tipos e os suportes de arquivo.” In Os fundamentos da disciplina arquivística, organizado por Jean-Yves Rosseau, Carol Couture, e J. Ducharme, 227–43. Lisboa: Dom Quixote, 1998.
- Frampton, Kenneth. História crítica da arquitetura moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
- Lima, Ana Gabriela Godinho. Arquitetas e arquiteturas na América Latina do século XX. São Paulo: Altamira, 2014.
- Lima, Ana Gabriela Godinho. Revendo a história da arquitetura: uma perspectiva feminista. Tese de Doutorado, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, [ano não indicado].
- Lira, José, Jonas Delecave, Victor Próspero, e João Bittar Fiammenghi. “Acervos de arquitetura como espaço histórico de formação.” Anais do Museu Paulista 29 (2021): 1–31.
- Martins, Camila, e Anna Paula Canez. “Arquivo pessoal Enilda Ribeiro: desafios da patrimonialização arquivística.” Observatório de la Economía Latinoamericana 22 (2024): e6770. <https://doi.org/10.55905/oelv22n9-132>
- Pollock, Griselda. “Modernidade e espaços da feminilidade.” In Género, cultura visual e performance: antologia crítica, organizado por Ana Gabriela Macedo e Francesca Rayner, 53–67. Minho: Universidade do Minho/Húmus, 2011.
- Rubino, Silvana Barbosa. Lugar de mulher: arquitetura e design modernos, gênero e domesticidade. Tese de Livre-Docência, Universidade Estadual de Campinas, 2017.
- Segawa, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900–1990. São Paulo: Edusp, 1998.
- Segawa, Hugo. “A fragilidade e o peso dos papéis.” Jornal da USP, 17 de setembro de 2020. <https://jornal.usp.br/artigos/a-fragilidade-e-o-peso-dos-papeis/> Acesso em 30 de agosto de 2025.
- Uliana, Dina E., Eliana de A. Marques, Ricardo M. de Azevedo, e Stella R. Miguez. “1º Seminário Acervos de Arquitetura: Administração, Conservação e Difusão.” Revista Pós, FAUUSP 20, no. 34 (2013): 12–32.
- Viana, Claudio Muniz. “A organização da informação arquivística em arquivos de arquitetura do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UFRJ.” Encontros Bibli: Revista eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, especial, v. 16, 1º semestre (2011): 23–39. <https://doi.org/10.5007/1518-2924.2011v16nesp1p23>

