Reabertura do Hotel Tambaú: podemos ter esperança?

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Este artigo discute a vulnerabilidade do patrimônio moderno e como este é compreendido pela sociedade contemporânea, tendo como objeto o Hotel Tambaú, em João Pessoa. Projetado por Sérgio Bernardes (1919-2002) em meados dos anos 1960 e inaugurado em 1970, o hotel tornou-se símbolo da arquitetura moderna na Paraíba e cartão postal da sua capital (Pereira, 2006; Rocha, Tinem e Cotrim, 2017). Construído em um banco de areia situado entre duas baías na praia de Tambaú, localização privilegiada da cidade, refletia ideários de progresso e poder, visíveis na implantação, forma circular, escala e soluções técnico-construtivas empregadas. Durante décadas manteve reputação de luxo e prestígio, mas, nos anos 2000, iniciou-se um processo de declínio em função de problemas financeiros, culminando no leilão do hotel em 2020. Após diversas disputas judiciais, em maio de 2025, o arremate do edifício pelo grupo AG Hotéis foi validado, e agora é parte da marca Ocean Palace. Em entrevista ao portal G1 PB, o proprietário da rede declarou que pretende preservar sua arquitetura original ao mesmo tempo que sinaliza a intenção de modernizar o seu interior (Dono…, 2025). Imagens veiculadas na mídia sugerem significativa destruição do edifício decorrente do longo período de inatividade. Desde seu fechamento, intensificaram-se os debates sobre os impactos ambientais e preocupações da ordem da saúde e segurança públicas, levando, em tempos de rede social, à emergência de declarações cogitando sua demolição. Com base no exposto e considerando a inexistência de mecanismos para a sua proteção, condição da maioria das obras modernas de João Pessoa, o artigo discute a relevância do Hotel Tambaú face à percepção contemporânea de seu valor pela população local a partir do mapeamento da repercussão do caso na imprensa e na rede social Instagram, buscando ampliar o debate para além do âmbito dos especialistas.

Palavras-chave

Como citar

MAGALHÃES, Fernanda Roque Taurino; VIDAL, Wylnna Carlos Lima. Reabertura do Hotel Tambaú: podemos ter esperança?. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • PAIVA, Ricardo Alexandre. Hotéis modernos de papel no Brasil. In: Alexandra Kennedy-Troya; Shayarina Monard-Arciniegas. (Org.). Ocio y negocio: el hotel de posguerra en las Américas. 1945-1990. 1ed.Cuenca: Facultad de Arquitectura y Urbanismo, Universidad de Cuenca / Dirección General de Cultura, Recreaci, 2023, v. 1, p. 471-504.
  • Pereira, Fúlvio e Nelci Tinem. “Um Símbolo da Modernidade: o Hotel Tambaú”. Em Na Urdidura da Modernidade: Arquitetura Moderna na Paraíba I, editado por Nelci Tinem e Marcio Cotrim, 212-223. João Pessoa: FA Gráfica e Editora/PPGAU-UFPB, 2014.
  • Pereira, Fúlvio Teixeira de Barros. “Hotel Tambaú, uma experiência na paisagem”, em 1º Seminário Docomomo Norte-Nordeste. UFPE, 2006.
  • Rocha, Germana Costa, Nelci Tinem e Marcio Cotrim. “Hotel Tambaú, de Sérgio Bernardes: diálogo entre poética construtiva e estrutura formal.” Arquitextos 206.18. Vitruvius, 2017. <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/18.206/6627>
  • Tinem, Nelci. “Desafios da preservação da arquitetura moderna: o caso da Paraíba”. Em Na Urdidura da Modernidade: Arquitetura Moderna na Paraíba I, editado por Nelci Tinem e Marcio Cotrim, 290-213. João Pessoa: FA Gráfica e Editora/PPGAU-UFPB, 2014.