Arquitetura, cinema e cultura nos filmes A Compadecida e Bacurau

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

A arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914–1992) é amplamente reconhecida por suas contribuições no campo da arquitetura, mas seu legado se estende também a outras áreas, como o design de figurinos e cenografia para teatro e cinema, além da pesquisa sobre cultura popular brasileira. Entre as obras que sintetizam sua visão multidisciplinar está A Compadecida (1969), filme dirigido por George Jonas e com arquitetura cênica creditada à Bo Bardi. Em paralelo, Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, com cenografia de Dani Vilela, também coloca o Nordeste e seu contexto cultural, social e político como território central para o desenrolar da narrativa. Nesse sentido, esta pesquisa tem como objetivo analisar o trabalho arquitetônico envolvido nas cenografias dessas duas produções, buscando compreender de que maneira colaboram para a consolidação de identidades culturais. A partir da criação e aplicação de uma metodologia de análise fílmica que permitiu examinar cenas, planos e fotogramas, foram identificadas estratégias de representação e construção das identidades culturais nos filmes por meio do design de produção. Os resultados indicam que, em A Compadecida, mesmo em um período marcado por visões tradicionalistas sobre o Nordeste, Lina Bo Bardi subverteu estereótipos ao criar cenários fundamentados na materialidade do cotidiano nordestino, sem, contudo, restringir-se a ela. Já em Bacurau, a discussão se expande para a própria dimensão narrativa: a cenografia destaca a cultura e a história como instrumentos de resistência, assumindo um discurso subversivo. Assim, ambas as obras constroem uma identidade cultural nordestina que, embora ancorada em ideologias distintas, valoriza a cultura popular como vetor de transformação social e confere à cenografia um papel crucial na documentação e reinvenção dessa realidade.

Palavras-chave

Como citar

FIALHO MARTINS, Tainá Tábata; SOLFA, Marilia. Arquitetura, cinema e cultura nos filmes A Compadecida e Bacurau. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • Bardi, Lina Bo. “Planejamento ambiental: ‘desenho’ no impasse.” Em Lina Bo Bardi: Obra construída, editado por Olivia de Oliveira. São Paulo: GG, 2018.
  • Name, Leo. “Apontamentos sobre a relação entre cinema e cidade.” Arquitextos, ano 04, n. 037.02, Vitruvius, junho 2003. <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.037/676>
  • Oliveira, Olivia de. Lina Bo Bardi: Obra construída. 3ª ed. São Paulo: GG, 2018.
  • Rodrigues, Ana Bárbara Machado, Teixeira, Marina Lages Gonçalves, e Castral, Paulo César. “Bacurau: entre permanências e rupturas de representações do Nordeste.” Revista ARA 16, n. 16 (julho 2024): 122–148.
  • Souza, M. F. R. Deus e o diabo em Bacurau: O sertão no Cinema Novo e na produção cinematográfica contemporânea. Tese de Mestrado, Universidade Regional do Cariri, Crato, 2022.
  • Zan, Vitor. “Espaço, lugar e território no cinema.” Galáxia 47 (2022): 1–22. <https://doi.org/10.1590/1982-2553202255455>