Estrutura disciplinada, dissolução da trama e pré-fabricação
Resumo
Este artigo se propõe a uma análise comparativa do uso que fez Paulo Mendes da Rocha da anatomia estrutural mais característica da modernidade: a planta livre em três casas de seu acervo professional. Partindo de uma estrutura estritamente modular, inicialmente projetadas para serem pré-fabricadas, as duas primeiras foram construídas em concreto in loco. A casa do Butantã, projetada e construída de 1964 a 1967, seria marcada pelo uso de peças pré-fabricadas de concreto armado, e pelo rigor construtivo no uso da modulação. Já na casa Millan, 1970 a 1974, o jogo estrutural se dá através de paredes e lajes rompidos em alguns momentos para permitir a entrada generosa da luz natural. Se na casa Millan, Paulo Mendes da Rocha abdica do pilar para adotar os planos verticais, esta casa monolítica em alguns momentos se separa do exterior indo na contramão das casas modernistas, que foram se tornando cada vez mais transparentes. Os procedimentos das duas casas do período inicial, se repetem na casa Gerassi. A terceira casa, concretiza a trajetória em direção à construção pré-fabricada, onde seis pilares quadrados são dispostos sobre a lateral do terreno e sobre eles três vigas se apoiam no sentido transversal, suportando a laje do pavimento, repetindo-se a mesma configuração acima, para fechar o volume prismático. Nas casas de Paulo Mendes da Rocha é possível aventar que a estrutura além de catalizador da arquitetura se converte em arquitetura ou a arquitetura de Paulo Mendes da Rocha seria inconcebível sem ela. A motivação relativa à pré-fabricação, foi o argumento para o projeto, no sentido de responder questões propostas vinte anos antes e tornar realidade a execução de uma obra residencial pré-fabricada. A racionalidade estrutural se mantém nos três exemplos, fruto de sua raiz politécnica, pragmática e técnica, entretanto a serviço das reações plásticas e programáticas.
Palavras-chave
Como citar
CORRÊA, Silvia Regina Morel. Estrutura disciplinada, dissolução da trama e pré-fabricação. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- Koury, Ana Paula, “Novas Casas de Morar (2): a contribuicão da construtora Cenpla”. Revista Arqurb número 8, (2012): 132-138.
- Gimenez, Luis E., “O recuo brutalista”. Arquitextos 166.01, ano 14, (abr. 2014). Disponível em: <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5041> Acesso em: 11/09/2025.
- Fracalossi, Igor. “Clássicos da Arquitetura: Casa no Butantã / Paulo Mendes da Rocha e João de Gennaro” ArchDaily. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-181073/classicos-da-arquitetura-casa-no-butanta-slash-paulo-mendes-da-rocha-e-joao-de-gennaro> Acesso em 11/07/2025.
- Correia, Ana Rita et all. “Casa Gerassi”, Paulo Mendes da Rocha, Descrição de vídeo e Entrevista com Antonio Gerassi. Disponível em: <https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/20260.pdf> Acesso em 10/07/2025
- Nobre, Ana Luisa, 2007, “Um em dois. As casas do Butantã, de Paulo Mendes da Rocha”. Arquitextos 086.01, ano 08, (jul. 2007). Disponível em: <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.086/228P> Acesso em 15/06/2025.

