Desejos e realidade: concursos e marcos arquitetônicos
Resumo
Vejamos outro ponto de vista, não o do arquiteto ou o do campo da arquitetura. Por que, crescentemente, governos, corporações e instituições realizam competições de arquitetura para escolher projetos de seus edifícios? Há muitas respostas. Em alguns países, isso já é tradição ou obrigação no setor público. Acredita-se que assim se obtém o melhor resultado possível. Ademais, a prática vincula-se ao desejo de construir um marco arquitetônico que simbolize a empresa, a instituição, a cidade ou o governo. Um marco não implica necessariamente uma obra grandiosa ou espetacular, embora isso ocorra com frequência. Este trabalho analisa briefings de concursos internacionais que demandam a criação de marcos arquitetônicos e observa alguns dos projetos concorrentes. Embora sejam prática corrente, concursos não resultam necessariamente na construção do edifício vencedor: muitas vezes, o cliente desiste por não aprovar o projeto ou por mudanças econômicas. Escritórios de vários portes investem tempo e recursos na participação. Bernard Tschumi afirma que metade dos projetos de seu escritório vêm de concursos vencidos e que ganha um a cada quatro. Em grandes competições, até o edital é pago; em concursos fechados, costuma-se oferecer ajuda de custo. Sites oficiais indicam que escritórios como Eisenman Architects, Herzog & de Meuron, MVRDV, OMA, Bernard Tschumi Architects e Foster + Partners venceram mais concursos não construídos do que construídos. Ainda assim, concursos têm valor pedagógico: geram soluções inéditas e exercitam a criatividade. Se há desistências, é por insatisfação com os resultados ou mudança de condições. Analisam-se aqui projetos de cinco concursos do século XXI envolvendo ao menos um desses escritórios, cujos briefings exigem soluções icônicas. Além dos projetos, examinam-se textos justificativos e materiais de mídia para identificar diferentes visões sobre iconicidade. Por fim, destaca-se que concursos públicos devem integrar políticas brasileiras, pois boa arquitetura, embora não resolva tudo, contribui para reduzir desigualdades.
Palavras-chave
Como citar
CARVALHO, Lorena Petrovich Pereira de; VALENÇA, Márcio Moraes. Desejos e realidade: concursos e marcos arquitetônicos. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- “Project Report”, Cruz y Ortiz, acesso em 04 de setembro de 2025, <https://www.cruzyortiz.com/portfolio/football-world-cup-stadium-for-morocco-2026-bid/?content=descripcion>

