Arquitetura Moderna no presente amplo
Resumo
Pretende-se discutir a persistência do moderno no Brasil, tomando como referencias as teses de Hans Ulrich Gumbrecht desenvolvidas em Despues de 1945. La Latência como origen del presente (2015a) e Nosso Presente Amplo: o tempo e a cultura contemporânea (2015b), nas quais apresenta a hipótese da contemporaneidade como um “presente amplo” que se estenderia pelo menos desde o final da segunda grande guerra, configurando um regime de temporalidade que engole o passado e paralisa o futuro. Tal formulação, a meu ver, implodiria a construção de narrativas de base historicista, vigentes na maioria das pesquisas na área de arquitetura, na medida inviabiliza as noções de causalidade, influencia, continuidade e ruptura, desenvolvimento, progresso, linearidade, e sobretudo anacronismo. O que significaria propor uma possibilidade reversa: é a contemporaneidade que se recusa a encerrar o moderno como horizonte de expectativas, conservando-o como nos diz Gumbrecht, como um “passageiro clandestino”, que irradia e afeta o presente, mas que não pode ser identificado e apreendido.
Palavras-chave
Como citar
KAMITA, João Masao. Arquitetura Moderna no presente amplo. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- GUMBRECHT, H.U. Depois de 1945: latência como origem do presente (São Paulo, UNESP, 2015a
- GUMBRECHT, H.U Nosso Presente Amplo: o tempo e a cultura contemporânea. São Paulo, UNESP, 2015b.
- HUYSSEN, A. Seduzidos pela memória. Rio de Janeiro, Aeroplano, 2000.
- NOBRE, A.L.S., KAMITA, J. M. (org.) Arquitetura Atlântica: deslocamentos entre Brasil e Portugal. São Paulo/Romano Guerra, Rio de Janeiro/Editora PUC-Rio, 2010

