A Amazônia na FAU-USP: fotografias, narrativas e decolonialidade
Resumo
A Amazônia - em sua sociobiodiversidade - é cultivada há centenas de anos por povos originários e comunidades tradicionais que criaram estruturas de ocupação contínua deste imenso território, antes das sociedades europeias implantarem o ethos da modernidade/colonialidade. Em meio à separação entre o suposto moderno, civilizado e racional e o considerado arcaico e selvagem, a arquitetura, expressão tangível da cultura de um povo e documento revelador de um período, corporifica a dupla fratura da modernidade, colonial e ambiental, na qual a natureza e aqueles que a habitam são apontados injustamente ao papel de antagonistas, ao passo que o homem hegemônico ao de herói. Essa pesquisa, coordenada pela Profa. Dra. Renata Martins, centra-se na análise do repertório arquitetônico amazônico, a partir de fotografias selecionadas do acervo fotográfico da Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP, registradas entre os anos de 1950 e 1990. As fotografias selecionadas são (re)interpretadas a partir da articulação de matrizes epistêmicas originadas dos estudos latino-americanos decoloniais. Isto é, a interpretação das fotografias é baseada no reconhecimento das consequências da modernidade/colonialidade no território amazônico e na desigual relação entre saber-poder que estas imagens podem exercer. Nesse sentido, foram priorizadas bibliografias que evidenciam, de maneira crítica e decolonial, o contexto marcado pelo desenvolvimentismo coordenado por países hegemônicos e literaturas e reflexões a respeito da potencialidade que a imagem assume ao ser transformada, tanto em forma quanto em sentido, por aqueles a que ela se refere. Percebe-se que os diversos projetos de desenvolvimentismo na Amazônia são excludentes, disfuncionais e amalgamam grupos sociais, unificados à força, em torno de uma identidade nacional supostamente consentida. Nesse sentido, procura-se que essas imagens provoquem o observador a pensar no papel social que o arquiteto assumiu no passado e pode assumir na atualidade, enquanto agente de mudanças.
Palavras-chave
Como citar
LIMA, Mauricio Cavalcante; SALGADO, Victor. A Amazônia na FAU-USP: fotografias, narrativas e decolonialidade. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- Georges Didi-Huberman, Diante do tempo: história da arte e anacronismo das imagens (TMinas Gerais: Editora UFMG, 2015).
- Naine Terena, “A máquina de registrar memórias: o lugar de existir” em Paiter Suruí, gente de verdade. Um projeto do coletivo Lakapoy. São Paulo: IMS, 2025, p. 249-253.
- Thyago Nogueira, “Arquivo, acervo, álbum: arte como diplomacia” em Paiter Suruí, gente de verdade. Um projeto do coletivo Lakapoy. São Paulo: IMS, 2025, p. 237-240.
- David Figueiredo de Almeida, Relatos sobre a vila minerária de Serra do Navio: controle médico, vigilância social e controvérsias ambientais. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020.
- Telma de Barros Correia, “Bratke e o projeto civilizatório da Icomi”. PosFAUUSP, v. 19, n. 31 (2012), p. 132–145.

