Gênese e experiências da arte mural de Roberto Burle Marx
Resumo
Nesta apresentação analisamos a obra mural de Roberto Burle Marx, entre 1937 e 1993, partindo da uma hipótese de que a relação deste artista com as paisagens rupestres do Brasil estabelece um fio condutor para a produção de sua obra mural em pedra e concreto que domina grande parte de sua produção e é desenvolvida a partir desta sensibilidade. Assim, ao mesmo tempo que responde a uma proposta das primeiras experiências modernistas, em que os painéis de azulejo azul e branco, relacionados ao passado colonial, são transformados e adotados como expressão da modernidade, há uma força criativa que nunca o afasta da expressão dos materiais naturais inertes. O concreto, intercalado com a vegetação, passa a permitir a construção de “réplicas” dos jardins rupestres, num elemento de criação de jardins inventado pelo artista - o muro escultórico que mistura concreto e vegetação saxícola. Em concreto, Burle Marx interpreta formas de cristais como esculturas, painéis como vegetação petrificada e muros como grandes falésias. Parece-nos que esta é uma característica específica da genialidade do artista que não coincide exatamente com as premissas da integração arte e arquitetura, tais como as costumamos descrever.
Palavras-chave
Como citar
COELHO, Isabel Ruas Pereira. Gênese e experiências da arte mural de Roberto Burle Marx. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
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- DOURADO, Guilherme. Folhas em Movimento — Cartas de Burle Marx. São Paulo: Luste, 2022.
- MOTTA, Flávio. Roberto Burle Marx e a nova visão da Paisagem. Nobel, 1984.
- HAAS, Yanara Costa. As cantarias do Sítio Roberto Burle Marx. <https://doi.org/10.11137/2012_1_80>
- FUÃO, Fernando Freitas. “Brutalismo, a Última Trincheira do Movimento Moderno”.

