Dos painéis de cobogós aos espaços modernos dos Trópicos

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Entendendo os painéis de cobogós como painéis artísticos que participaram ativamente da definição dos sentidos da modernidade arquitetônica brasileira, aqui proponho uma reflexão sobre essas superfícies vazadas, originalmente concebidos como tijolos para construção de paredes fechadas, ganharam novas funções e expressivos desenhos nas mãos dos criativos arquitetos brasileiros, respondendo às demandas de proteção solar e ventilação, tornaram-se elementos fundamentais da integração da arte e arquitetura, conferindo transparência, permeabilidade, nuances de luz e sombra, contribuindo para a diversidade dos espaços modernos nos trópicos. “Estas superfícies de combogós atuando nas fachadas muito ensolaradas como verdadeiro “brise-soleil”, produzem desenhos caprichosos de sombra e luz, de bom efeito decorativo” (sic) (Cardozo, 1939 apud. In Santana, 1997). Com essa frase Cardozo definiu a riqueza e plasticidade desses elementos vazados que se tornaram tão comuns nas fachadas brasileiras e em países de clima tropical. Uns associaram suas origens a reinterpretação dos muxarabis, outros aos textile-blocks de Frank Lloyd Wright (Oliveira e Bauer, 2011). Esses blocos foram utilizados por Luiz Nunes e Joaquim Cardozo em fachadas modernas: “Os volumes e superfícies vazadas que antigamente eram resolvidos com as venezianas, foram criados agora com o emprego justo e adequado de um material pernambucano por excelência e que conserva a mesma simplicidade de linhas de certas grades e esquadrias: o combogó” (...) (Cardozo, 1939)”. A presente proposta discute o cobogó como elemento pele da teoria de Semper (1851) - essencial de nossa modernidade tropical com intuito de explorar seus diversos desenhos, matérias e estratégias de montagem: sejam os realizados em argamassa de concreto por Acácio Gil Borsoi Edifício Santo Antônio (1960) com duas peças em concreto pré-moldado formando uma trama rendada; por Maurício Castro, trama de duas peças nas fachadas da Sudene (1968); por Delfim Amorim, no Seminário Religioso de Camaragibe (1963), por Armando Holanda na fábrica Icanor (1968); os painéis em cobogós desenhados por Petrônio Cunha para a igreja do Bom Samaritano, (1982), os desenhos de Athos Bulcão para a Fiep em Campina Grande (1979); esses painéis artísticos foram determinantes para a constituição dos espaços modernos tropicais.

Palavras-chave

Como citar

NASLAVSKY, Guilah. Dos painéis de cobogós aos espaços modernos dos Trópicos. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

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