Poética da economia e Arquitetura Paulista (1955-70)
Resumo
A arquitetura paulista das décadas de 1950/60 tem sido caracterizada pelos grandes vãos e balanços, pelo uso extensivo do concreto armado e pela audácia das concepções estruturais. Esta investigação procura oferecer novos relatos em torno do período histórico ao se debruçar sobre um conjunto de práticas que, avessas a uma monumentalidade da técnica, convergem no sentido de uma poética da economia. A análise intertextual dos trabalhos e posições de Carlos Millan, Flávio Império, Joaquim Guedes, Rodrigo Lefèvre e Sérgio Ferro demonstra entre esses arquitetos um interesse compartilhado pela solução compacta e econômica, pelo canteiro de obras e pela utilização de técnicas artesanais de construção. Sugere, ainda, a constituição de círculos próprios de sociabilidade, evidenciando uma pluralidade de posições no interior de uma escola de projeto. Levando em conta a proximidade da inauguração de Brasília, em que a atividade planificadora se confunde com a própria ideia de país, tais especificidades sinalizam vias alternativas de desenvolvimento e modernização, diversificando as formas de engajamento da categoria com as forças produtivas nacionais. Em primeiro lugar, pretende-se discutir como a ideia de poética da economia, conceituada textualmente por Ferro e Lefèvre em 1963, é explorada por Guedes e Millan a partir de 1955, ano em que passam a dividir um escritório na rua Barão de Itapetininga. E, inversamente, de que modo textos e obras produzidos pela nova geração reverberam sobre as atividades de seus ex-professores. Em segundo lugar, propõe-se estender esta interlocução ao problema da abóbada enquanto forma construtiva, que, ao abarcar um amplo leque de inquietações teórico-projetuais, assume uma função modelar naqueles anos. Almeja-se, assim, estabelecer uma reflexão de caráter relacional, tirando do repouso narrativas estabelecidas sobre a escola paulista e suas possibilidades de interpretação.
Palavras-chave
Como citar
MILLAN, Tomas Cezar de Andrade. Poética da economia e Arquitetura Paulista (1955-70). In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- Yves Bruand, “Arquitetura contemporânea no Brasil” (São Paulo: Perspectiva, 1981).
- Sérgio Ferro, “Arquitetura Nova” [1967], em Arquitetura e trabalho livre, org. Pedro Fiori Arantes (São Paulo: Cosac & Naify, 2006), 51-52.
- Gorelik, A. “A produção da cidade latino-americana”, Tempo social 17, n.1 (junho 2005): 111-13.
- Joaquim Guedes, “Depoimento”, Acrópole, n.347 (fevereiro 1968): 13-14.
- Ao menos é o que indica Ruth Verde Zein em “A arquitetura da escola paulista brutalista”, Tese de Doutorado (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005), 119.
- Sergio Matera, “Carlos Millan: um estudo sobre a produção em arquitetura”, Dissertação de Mestrado (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 2005).
- Joaquim Guedes, “Residência 4”, Acrópole, n.347 (fevereiro 1968): 32.

