Monkey way: a instalação do Atelier Bow-Wow no Pavilhão da Bienal na 27ª Bienal de São Paulo
Resumo
O artigo analisa a intervenção site specific Monkey Way, proposta pelo Atelier Bow-Wow na 27ª Bienal de São Paulo. Yoshiharu Tsukamoto e Momoyo Kaijima criaram uma passarela suspensa entre três árvores atrás do Pavilhão de Oscar Niemeyer, partindo e retornando aos panos de vidro do edifício. A instalação, buscava uma imersão sensorial, fazendo os visitantes se sentirem como “habitantes da floresta”, o fato de partir e voltar para o mesmo ambiente, reforçava a ideia dos arquitetos de trabalhar com as sensações dos visitantes, buscando o despertar dos sentidos de como se o usuário tivesse percorrido e retornado de um lugar distante do que originalmente partira. A instalação tirou proveito da vegetação nativa local, usando as árvores como suporte estrutural e elemento sensorial. A passarela, que se desenvolve como como uma “espinha dorsal”, foi construída com tábuas reaproveitadas de restos de demolição, com vigas e pilares de eucalipto, estes associados a cabos de aço, garantem a estabilidade do conjunto da instalação. Nas interfaces de contato com as árvores, os guarda-corpos se abrem como bancos, permitindo pausas para contemplação no meio do circuito da passarela. A proposta invertia a lógica do Parque Ibirapuera, elevando as pessoas à altura das copas, em vez de mantê-las no solo ou dentro do Pavilhão da Bienal. Isso criava uma interação física e visual inédita com o sítio, rompendo a barreira entre interior e exterior da edificação. A intervenção destacou qualidades bioclimáticas locais, se utilizando de materiais reaproveitados e de recursos naturais. Efêmera, a instalação reforçou a conexão sensorial entre o Pavilhão Niemeyer (1956) e o Parque Ibirapuera (1954), explorando os corpos e as percepções para além dos limites arquitetônicos. A Monkey Way transcendia a função de circulação, tornando-se uma experiência que ressignifica a relação entre usuário, natureza e construção, celebrando de forma poética a flora brasileira.
Palavras-chave
Como citar
PINTO, Guilherme Fernando. Monkey way: a instalação do Atelier Bow-Wow no Pavilhão da Bienal na 27ª Bienal de São Paulo. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- Tsukamoto, Yoshiharu. Kaijima, Momoyo. Et al. Atelier Bow-Wow: Commonalities. “Ibirapuera Park, São Paulo, Brazil”, 70-75. Tóquio, Japão: LIXIL, 2014.
- Tsukamoto, Yoshiharu. Kaijima, Momoyo. Et al. Atelier Bow-Wow: Commonalities. Tóquio, Japão: LIXIL, 2014.
- Tsukamoto, Yoshiharu. Kaijima, Momoyo. Fujimori, Terunobu. Et al. Atelier Bow-Wow: Behaviorology. Nova Iorque, Estados Unidos: Rizzoli International Publications, 2010.
- Tsukamoto, Yoshiharu. Kaijima, Momoyo. Fujimori, Terunobu. Et al. “Monkey Way” editado por Terunobu Fujimori, 280-283. Nova Iorque, Estados Unidos: Rizzoli International Publications, 2010
- Tsukamoto, Yoshiharu. Kaijima, Momoyo. Graphic Anatomy 2: Atelier Bow-Wow. Tóquio, Japão: TOTO Publishing, 2014.
- Tsukamoto, Yoshiharu. Kaijima, Momoyo. Graphic Anatomy 2: Atelier Bow-Wow. “Monkey Way” editado por Yoshiharu Tsukamoto e Momoyo, 19. Tóquio, Japão: TOTO Publishing, 2014.
- Tsukamoto, Yoshiharu. Kaijima, Momoyo. Graphic Anatomy 2: Atelier Bow-Wow. “Monkey Way” editado por Yoshiharu Tsukamoto e Momoyo, 131. Tóquio, Japão: TOTO Publishing, 2014.
- Tsukamoto, Yoshiharu. Kogan, Gabriel. Et al.Ugly Architecture ? A design studio on Lina Bo Bardi at the Tokyo Institute of Technology. São Paulo, Brasil: Gabriel Kogan, 2022.

