Reivindicando o inabitado: corpos em silos e tanques

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19434725

Resumo

O que resta quando a função desaparece? Este artigo parte dessa pergunta e investiga como estruturas técnicas se tornam lugares de vida. A pesquisa adota uma leitura comparativa de quatro obras em contextos e escalas distintas para entender as escolhas de projeto e seus efeitos no espaço urbano. Em Colônia, o Hotel im Wasserturm (1990) converte uma antiga torre d’água em hotel e transforma monumentalidade em experiência habitável. Em Buenos Aires, os Silos de Dorrego (1993) requalificam o complexo fabril e introduzem moradias e áreas de convívio, abrindo uma frente de uso residencial em invólucros industriais. Em Viena, o Gasômetro (2001) integra quatro cilindros preservados a um conjunto de usos mistos, com soluções autorais distintas que mantêm coesão e criam uma centralidade contemporânea. Em Xangai, o Tank Shanghai (2019) funde centro de arte e parque a partir de cinco tanques e articula topografia pública, percursos e novas relações com a paisagem do Huangpu. A comunicação apresenta uma análise que compara condições, decisões e resultados, permitindo reconhecer padrões de projeto sem prescrições fechadas. A pesquisa demonstra como o reuso adaptativo não é um ato de nostalgia, mas uma prática de projeto contemporânea, capaz de alinhar inteligência construtiva, responsabilidade climática e produção de sentido coletivo.

Palavras-chave

Como citar

CARNEIRO, Mateus Mossmann; PETRY, Ângelo Prisco. Reivindicando o inabitado: corpos em silos e tanques. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais do 16º Seminário Docomomo Brasil: O Futuro do Passado: Arquitetura Moderna Viva e Urbana. Porto Alegre: Docomomo Brasil, 2026. ISBN 978-65-993024-6-6. DOI: 10.5281/zenodo.19434725.

Referências

  • ARQUITECTOS DUJOVNE-HIRSCH. Silos De Dorrego, 1993. <https://www.dujovne-hirsch.com/silos-de-dorrego/>
  • ATELIERS JEAN NOUVEL. Gasometer A, 2001. <https://www.jeannouvel.com/en/projects/gazometre/>
  • CATAFESTA, Manuela. Habitar a indústria. Dissertação de mestrado, UFRGS, 2012.
  • CIERI, José Luis. Silos de Dorrego. Infobae, Março de 2024.
  • COMAS, Carlos Eduardo Dias. Ecos fabriles. Arquitectura Viva, no. 48 (1994): 26–28.
  • COMAS, Carlos Eduardo; BENEDETTI, Jacopo. Tanque de Arte, Xangai. In: VIII Seminário Docomomo Sul. Porto Alegre: UFRGS, 2025.
  • COOP HIMMELB(L)AU. Apartment Building Gasometer B, 2001. <https://coop-himmelblau.at/projects/apartment-building-gasometer-b>
  • CORONA MARTINEZ, Alfonso. Reformas Reveladoras. ArqTexto, no. 14 (2008): 218–235.
  • FERREIRA, Andressa Klein. Silos: A Forma da Reforma. Dissertação de mestrado, UFRGS, 2019.
  • FRUEHWIRTH, Ewald. Die Wiener Gasometer. <http://www.derfewa.at/gasometer.htm>
  • LE CORBUSIER. Vers une architecture. Paris: G. Crès et Cie, 1923.
  • LE CORBUSIER; OZENFANT, Amédée. Trois rappels à messieurs les architectes. L’Esprit Nouveau, no. 1, 1920.
  • NOUVEL, Jean. Sin mudar la piel. Arquitectura Viva, no. 81 (2001): 48–51.
  • WEHDORN, Manfred. Gasometer. Whedorn Architekten. <https://www.wehdorn.at/projects/gasometer/>