Por uma noção de praça da Arquitetura Moderna: um novo olhar sobre o tema a partir de três projetos de Niemeyer (1947-57)

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

A relação entre edifício e espaço aberto, uma problemática central ao ideário moderno, já foi objeto de estudos diversos. Em Ville Radieuse (1930), Le Corbusier imaginou uma cidade estruturada pelo parque, que parte da crítica interpretou como ruptura com a praça enquanto tipologia urbana. Autores como Rob e Leon Krier (1975; 1978) associaram o urbanismo moderno à diluição da forma da cidade tradicional, observando uma suposta substituição da praça por espaços abertos indiferenciados. Contudo, estudos recentes indicam que as experiências modernas, em especial na América Latina, produziram soluções mais complexas. Pesquisas de Comas (1987) e Cabral (2013, 2016) evidenciam a persistência da praça como categoria formal em obras emblemáticas. Alinhado a esses trabalhos, o texto examina três projetos de Oscar Niemeyer: a Praça dos Três Poderes (1957), a Praça das Nações Unidas (1947) e a Praça Coberta no Parque Ibirapuera (1951), identificando estratégias projetuais específicas que permitem redefinir a noção de praça moderna. A partir da produção de Niemeyer, busca-se demonstrar que a praça moderna se constituiu como uma operação compositiva complexa, que transcende o modelo clássico europeu e amplia o legado projetual do movimento moderno.

Palavras-chave

Como citar

DALL'ALBA, Anderson. Por uma noção de praça da Arquitetura Moderna: um novo olhar sobre o tema a partir de três projetos de Niemeyer (1947-57). In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

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