Azulejos autorais na moderna arquitetura brasileira
Resumo
No Brasil, a partir de 1940, a utilização de azulejos de autor, associada aos movimentos de renovação da arquitetura, explorou o potencial estético dessa arte, até então, limitada aos revivalismos coloniais. Com a participação de artistas, ceramistas e arquitetos, o que poderia ter sido ocorrência transitória, se transformou em manifestação duradoura que — ao lado de brise-soleil, cobogós e fachadas de vidros — entrou no vocabulário da modernidade arquitetônica, ultrapassou essa produção de vanguarda e, no decorrer de quase quatro décadas — conservando as principais características do seu modo de fazer original — deu vida a diversificado conjunto de obras. Passados, quase, noventa anos das primeiras manifestações, constata-se que, mesmo não sendo, historiograficamente, ignorado, o tema azulejar é mantido na periferia dos textos, dedicados à arquitetura moderna, que se ocupam, essencialmente, dos projetos, soluções construtivas e atuações profissionais, de arquitetos e artistas que, desde os textos fundadores, protagonizam as narrativas. É preciso rever estes enredos que, gradativamente, reiteram equívocos, por não considerarem a perspetiva do próprio azulejo, para dissertar sobre ele. Pelo exposto, utilizando a microanálise indiciária como método investigativo (Ginzburg 1989, Levi 2019), as informações extraídas de documentos arquivados em instituições e plataformas digitais — Hemeroteca da Biblioteca Nacional; Arquivo Central do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (ACI/RJ); Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas CPDOC/FGV; Projeto Portinari; Acervo documental do ceramista Horst Udo Knoff, sob tutela do Museu de Arte da Bahia; Plataforma Us Modernist; além de livros, artigos, revistas nacionais e estrangeiras consultados em bibliotecas — serão evidenciadas neste artigo, buscando dar visibilidade aos aspectos — crescimento da indústria cerâmica, a escolha de técnicas não tradicionais, a produção coletiva e as criações para além do contexto moderno, entre outros — que, efetivamente, foram determinantes para a presença, longeva, da azulejaria autoral, na arquitetura brasileira.
Palavras-chave
Como citar
MELLO, Eliana Ursine da Cunha. Azulejos autorais na moderna arquitetura brasileira. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais do 16º Seminário Docomomo Brasil: O Futuro do Passado: Arquitetura Moderna Viva e Urbana. Porto Alegre: Docomomo Brasil, 2026. ISBN 978-65-993024-6-6.

