A Arquitetura e o Urbanismo no Brasil após 1960: pluralismo e sensibilidade pós-moderna
Resumo
No contexto global a partir da década de 1960, emergiram novas concepções e expressões na arquitetura e no urbanismo. Teóricos como Christian Norberg-Schulz e Christopher Alexander argumentaram que a forma arquitetônica não poderia ser a única variável projetual, defendendo a integração de fatores como o meio social, o entorno físico e a acomodação programática. Assim, a visão funcionalista predominante nos primeiros Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM) foi gradualmente abandonada. Na Europa, arquitetos como Aldo Rossi, Vittorio Gregotti e os integrantes do Team X (como Aldo van Eyck e George Candilis) criticaram o modelo de cidades funcionais e universais, propondo projetos que valorizavam a relação entre pessoas, história e lugar. Paralelamente, em países anglo-saxões, nomes como James Stirling, Robert Venturi e Denise Scott Brown incorporaram arquétipos clássicos, ornamentos e simbolismo popular em suas obras. No Egito, Hassan Fathy resgatou técnicas tradicionais, utilizando materiais locais (como tijolos de barro e abóbadas) em projetos residenciais e institucionais. Segundo Andreas Huyssen, essas transformações refletem uma nova sensibilidade em relação ao lugar e aos usuários, distanciando-se dos movimentos arquitetônicos anteriores. Como resultado, nota-se um pluralismo projetual, marcado por correntes diversas como Metabolismo, Urbanismo Espacial, Megaestruturas e Regionalismo Crítico. No Brasil, o pós-modernismo na arquitetura ganhou destaque especialmente a partir de meados dos anos 1960, com a atuação de arquitetos como arquitetos como Éolo Maia, Jô Vasconcellos e Sylvio Podestá, em Minas Gerais. Mas também com Severiano Porto no Amazonas e Domingos Bongestabs no Paraná. Portanto, não seria reducionista enxergar o ideário pós-modernista no Brasil como um “bloco” monolítico, reduzindo-o a um movimento único? Pois, sabe-se que houve uma transição gradual, onde as ideias funcionalistas deram lugar a uma maior liberdade projetual nas décadas seguintes, resultando em diferentes soluções experimentais no projeto arquitetônico e urbano. Diante disso, a questão central desta sessão é: quais são as características da sensibilidade pós-moderna nas diferentes regiões do Brasil após 1960? O objetivo é discutir e comparar contribuições projetuais que documentem e analisem a arquitetura produzida nesse período. Os artigos podem abordar, por meio de estudos de casos específicos ou comparações entre projetos realizados entre as décadas de 1960 e 1990, as variáveis projetuais e os conceitos arquitetônicos que orientaram obras ou a atuação de arquitetos (as); e o contexto histórico da transição entre o modernismo e as novas tendências. Dessa forma, busca-se aprofundar o legado dessas obras e profissionais, ainda pouco explorados na história e historiografia da arquitetura brasileira.
Como citar
SANQUETTA, Felipe Taroh Inoue; JANUÁRIO, Isabella Caroline. A Arquitetura e o Urbanismo no Brasil após 1960: pluralismo e sensibilidade pós-moderna. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

