A dimensão urbana do edifício residencial moderno

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Se a relação entre arquitetura moderna e habitação pode ser descrita como uma relação de origem, a relação entre habitação moderna e cidade é colheita de resultados e possibilidade de impulsionar a dimensão urbana dos edifícios. Durante os períodos de consolidação e hegemonia da arquitetura moderna brasileira, concentrados entre as décadas de 1940 a 1960, o edifício residencial tornou-se um importante local de experimentação arquitetônica, fazendo justiça ao papel central que tem a questão da habitação no projeto moderno e na construção das cidades. Assim, no Brasil, a produção arquitetônica de edifícios de apartamentos encontra na sua dimensão urbana alguns dos principais aspectos que a singularizam e que garantem tanto seu papel histórico quanto seu valor como experiência de projeto. Esta dimensão urbana pode ser verificada a partir da análise de um conjunto de estratégias de projeto empregadas reiteradamente em muitas destas obras, tais como: o amplo repertório de soluções para os planos de fechamento e a articulação entre estrutura resistente, fachada, dispositivos arquitetônicos de controle ambiental e as relações que estes estabelecem como elementos intermediadores com a cidade; a preferência pela construção de superfícies permeáveis e porosas; os parâmetros de urbanização e de inserção dos edifícios nos lotes e na malha urbana; as estratégias de projeto dos pavimentos térreos, que exacerbam o potencial de articulação territorial, amplificando relações de continuidade com a cidade; o modo de projetar tomando o corte como instrumento principal de concepção e de exploração espacial, o que valoriza interpenetrações verticais nos espaços, bem como o encontro do edifício com o solo e, consequentemente, com a paisagem urbana. Alargando o interesse para a produção brasileira concentrada entre 1920 e 2020, esta sessão busca selecionar trabalhos baseados na análise de edifícios residenciais (construídos ou não) e nas estratégias de projeto neles empregadas que permitem maior intermediação entre edifício e cidade, urbanizando os edifícios. Temos como objetivo compreender estas obras a partir das interfaces que estabelecem com as cidades onde se inserem e que garantem, por consequência, sua singular dimensão urbana. Ao elegermos a habitação como questão central, nosso interesse está focado no protagonismo do tecido urbano ordinário, e não em suas situações de exceção. Além disso, considerando a célula habitacional como elemento essencial na articulação da arquitetura com a cidade, nos interessa investigar estratégias de projeto que potencializam o estabelecimento de interfaces entre interior e exterior, diferenciando âmbitos privado e público, definindo fronteiras e transições entre estes domínios, e com isso ajudando a entender que tipo de cidade essas arquiteturas para a moradia têm o potencial de gerar. Por fim, uma investigação sobre estratégias de projeto empregadas nos edifícios residenciais brasileiros é fundamental não só para a compreensão histórica do legado moderno, mas também para a correta compreensão da condição contemporânea na arquitetura. Assim, pretendemos situar em que termos as soluções investigadas se inserem na arquitetura contemporânea, de forma a responder às prementes questões climáticas, aos novos modos de habitar, estabelecendo novos tipos de suportes ambientais para o projeto arquitetônico.

Como citar

ESKINAZI, Mara Oliveira; NUNES, Denise Vianna. A dimensão urbana do edifício residencial moderno. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.