AMÉRICA(S) em trânsito. Rotas continentais em Arquitetura (1900-1970)
Resumo
(1900-1970) Rafael Urano Frajndlich e Fernando Atique Desde as independências dos países americanos no século XIX, correntes intelectuais têm se concentrado na construção de uma identidade cultural compartilhada. Os debates arquitetônicos foram centrais nesse esforço, fornecendo um terreno comum para a discussão em como seria o espaço transnacional de modernidade. As pesquisas em arquitetura transnacional usualmente focam seu escopo em movimentos intercontinentais, o que motiva a busca por abordagens diferentes de pesquisa: essa sessão propõe tratar da complexa relação acerca das distintas tradições arquitetônicas nas três Américas e seus diálogos por identidades comuns. No princípio do século XX, movimentos revivalistas propuseram uma abordagem própria de suas histórias, recorrendo a motivos indígenas ou reinventando a arquitetura acadêmica colonial, enfatizando a autodeterminação na governança independente da metrópole. Posteriormente, a Arquitetura Moderna foi utilizada para projetar edifícios e planos urbanos em cidades ainda em desenvolvimento, onde profissionais abordaram o funcionalismo, a serialização industrial e a estética abstracionista de maneiras que diferiam de seus pares além mar. Esses movimentos foram moldados tanto por esforços coordenados quanto por movimentos espontâneos, contando com arquitetos em trânsito: profissionais que circularam pelas Américas em busca de intercâmbios educacionais, conferências técnicas ou comissões no exterior. Iniciativas estatais designaram arquitetos a países vizinhos como parte de seus interesses estratégicos, fortalecendo laços diplomáticos, promovendo identidades ou avançando agendas ideológicas. Por exemplo, Oscar Niemeyer no Brasil, Obregón Santacília no México e Paul Lester Wiener nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, arquitetos independentes em trânsito também contribuíram para o desenvolvimento de uma identidade compartilhada. Casos notáveis incluem o mexicano Luis Barragán e o brasileiro Vilanova Artigas durante seus estudos nos Estados Unidos, a norte-americana Georgia Louise Harris Brown no Brasil e a argentina Myriam Waisberg no Chile. Esta sessão busca discutir como rotas continentais na arquitetura teceram uma identidade americana durante as primeiras décadas do século XX até os anos 1970. Serão bem vindos trabalhos que abordem essas iniciativas, elaborando sobre o intercâmbio de ideias, instituições, projetos arquitetônicos, doutrinas de planejamento urbano, debates e biografias de arquitetos como formas de contrastar contextos particulares com uma visão mais ampla.
Como citar
FRAJNDLICH, Rafael Urano; ATIQUE, Fernando. AMÉRICA(S) em trânsito. Rotas continentais em Arquitetura (1900-1970). In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

