Arquitetura Moderna hospitalar: projetos, acervos e patrimônio

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

O estudo da tipologia hospitalar como um importante contributo aos estudos da modernidade está cada vez mais latente nas pesquisas de arquitetos, urbanistas, engenheiros e historiadores. A importância de se estudar esta tipologia está em se debater como os projetos para a saúde responderam aos desafios sociais e científicos demandados para sua realização, em plena modernidade da primeira metade do século XX. A arquitetura moderna da área da saúde é um programa de modernidade e inovação que norteou a concepção da arquitetura moderna. Esta sessão busca ser um espaço de discussão dessa temática no âmbito do Docomomo Brasil, que tem recebido estudos em seus seminários, desde particularmente o Homework elaborado para o Docomomo Internacional intitulado “Health and Modern Architecture”, entre 2011 e 2012. A partir dessa importante iniciativa, as preocupações quanto à conservação, proteção patrimonial e identificação de acervos relativos a essa tipologia do movimento moderno têm sido contempladas por pesquisadores de diferentes áreas, entre instituições públicas, privadas e autônomas. Orientados pela medicina, os projetos para edificações de saúde procuraram trazer, em sua essência, respostas concretas cujas marcas ainda estão em nossas cidades e no nosso cotidiano citadino. Ao mesmo tempo que configuram importantes contribuições à arquitetura moderna, sua conservação e preservação enfrenta os desafios inerentes a qualquer obra do período, acrescidos das preocupações quanto à manutenção de seu uso e características construtivas originais. Devido às necessidades espaciais e às demandas tecnológicas, a transformação, a desativação ou a demolição são uma certeza. Vale lembrar que na Holanda, com a iminente destruição do sanatório Zonnestraal, surgiu a oportunidade de criar o Docomomo Internacional no ano de 1988, evidenciando o quão necessário é pensar na proteção e valorização desta tipologia entre as diretrizes da preservação do Movimento Moderno. A despeito dessa origem, sentimos que a arquitetura hospitalar moderna ainda não foi devidamente estudada no Brasil, embora recentes contribuições estejam surgindo de diferentes partes do país. Se um hospital precisa continuar sendo útil ao que foi demandado para sua construção, deve-se apostar na tecnologia em detrimento da conservação de seu projeto original? Ou deve-se preservar suas características arquitetônicas originais que justificaram a relevância de seu projeto para a história da arquitetura, e rever seu uso? Como conciliar tais desafios? O diálogo é necessário e cada vez mais urgente. Nesse sentido, a preservação de acervos de arquitetura e engenharia da saúde do período moderno se faz cada vez mais presente, indicando atitudes mais atentas das instituições de preservação e salvaguarda como contribuição à proteção patrimonial dos espaços de saúde. Esta sessão estabelece como objetivos reconhecer os edifícios modernos de saúde como uma tipologia moderna que ainda precisa ser compreendida como parte dos ideais do Movimento Moderno; identificar os edifícios modernos de saúde como sujeitos a contínuas transformações espaciais e reconhecê-los como edifícios paradigmáticos para discutir estratégias de conservação e reabilitação dentro da ideologia do Movimento Moderno; e, por fim, identificar as características singulares dos projetos, , a forma, a tecnologia e o conhecimento como base para a definição das estratégias de intervenção.

Como citar

COSTA, Renato da Gama-Rosa; AMORA, Ana Maria Gadelha Albano. Arquitetura Moderna hospitalar: projetos, acervos e patrimônio. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.