Arquitetura residencial e escolar, empresa conjugal
Resumo
Escolas são equipamentos chave nas unidades de vizinhança do urbanismo culturalista, extensão da moradia. Moradias coletivas povoam as superquadras do urbanismo progressista, para usar os termos felizes de Françoise Choau. Tanto escolas primárias e/ou secundárias quanto moradias coletivas se destacam na produção de duas empresas conjugais. Fry, Drew and Partners (fundada em 1946) e A&P Smithson (fundada em 1949) foram pioneiras na paridade explícita das decisões autorais de seus titulares parceiros na vida e na arte, em contraste com o relativo anonimato de outras arquitetas trabalhando com os maridos. Como, primeiro Aino e depois Elissa Aalto, as mulheres do finlandês Alvar, no entre guerras e no pós-guerra, respectivamente. Ou como Liliana Marsicano no fim dos 1950 e noutra periferia da civilização, brasileira e paulista, atuando em firma onde só figura o nome do marido, a Arquiteto Joaquim Guedes e Associados (fundada em 1955). Jane Drew e Maxwell Fry se radicaram na Índia, ex-colônia inglesa, Alison e Peter Smithson não abandonaram o Reino Unido. À testa de suas empresas, responderam a programas escolares e residenciais evidenciando no seu brutalismo pós-corbusiano a vitalidade da arquitetura moderna e do seu compromisso com a urbanidade, quaisquer reservas que suscitem. Ainda assim, e a despeito do considerável envolvimento feminino com a educação e a domesticidade, essa conjunção de um tipo de empresa, tipos de encargo e realizações arquitetônicas notáveis não se multiplicou: permaneceu singular por algum tempo tanto em país desenvolvido quanto subdesenvolvido. Mas o número de empresas conjugais paritárias vai aumentando nos 1990 se não no Norte certo no Sul Global, da América Latina à Ásia. Duas décadas depois, já em século novo, sua produção de escolas e moradias coletivas merece atenção. A sessão busca Identificar casos relevantes pelo seu trato não só de problemas funcionais e técnicos como estéticos, não só de firmeza e comodidade como de deleite do corpo e do espírito, com particular interesse em questões de composição e caracterização programática, de linhagem e atmosfera, relações com o entorno e com o repertório tipológico disciplinar, diferenciação e repetição, fundo e figura.
Como citar
CAMERIN, Suelen. Arquitetura residencial e escolar, empresa conjugal. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

