Arquitetura, Urbanismo, e a diversidade da experiência moderna Brasil
Resumo
O modernismo pode ser descrito como uma resposta cultural positiva à vida moderna: uma adesão às transformações socioeconômicas trazidas à luz ao longo do século XX pelos circuitos produtivos associados ao capital industrial. Esse processo global, inicialmente caracterizado pela pressão modernizante da indústria sob a produção material, logo influenciaria toda a sociedade. Na Arquitetura e Urbanismo, isso se materializaria através do anseio por formas derivadas de racionalismo e de economia formal, aspecto característico dos movimentos modernos ao redor do planeta. No entanto, a resposta dos agentes responsáveis pela produção do espaço às condições socioeconômicas modernas não poderia ser homogênea. Se o modernismo é uma reação subjetiva à reorganização da vida pelo capital industrial, essa reação foi tão diversa quanto as formas com que os processos de modernização afetaram os diferentes territórios do planeta. O modernismo brasileiro, frequentemente descrito pela Historiografia da Arquitetura como um caso singular e homogêneo de vanguarda moderna, materializaria a adesão do país, se não à sociedade moderna, a um projeto nacional de modernidade. Através do mesmo potencial de forja e transformação da sociedade que levaria o modernismo à rejeição pelos regimes totalitários europeus, uma corrente predominante do modernismo brasileiro seria alçada à condição de ferramenta para a construção de uma nação moderna. Por outro lado, se a experiência da modernidade no Brasil foi distinta da sua contraparte europeia, ela também seria diferente através do extenso território nacional. Às margens da corrente modernista canonizada pela Historiografia da Arquitetura, a experiência brasileira produziria modernismos, que negociariam o modelo modernista com tradições regionais, expectativas políticas, contradições sociais e particularidades econômicas através de toda sua extensão territorial no século XX. Para este eixo, esperam-se trabalhos que analisem criticamente as tensões entre modelos de um modernismo oficial e totalizante e as particularidades da experiência brasileira das transformações socioeconômicas associadas à modernidade. Com isso, propomos uma expansão crítica sobre os processos, os arquitetos, as obras e os ideais que materializariam a diversidade da experiência brasileira da vida moderna.
Como citar
FRANCO, Felipe Henrique; BRASILEIRO, Vanessa Borges. Arquitetura, Urbanismo, e a diversidade da experiência moderna Brasil. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

