Cidades universitárias como estruturas urbanas, 1930-1970

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

No Brasil, o modelo “cidade universitária” se consolidou, entre as décadas 1930 e 1970, como definição, preferencial, do território da universidade brasileira, integrando, como revela boa parte das pesquisas realizadas nos últimos anos, as propostas pedagógica, urbanística e arquitetônica. Este modelo, presente de maneira significava na América Latina, foi expressão do processo de modernização dos estados nacionais, da construção de iden\ dade cultural e ganhou forma com a arquitetura e o urbanismo modernos. As primeiras universidades criadas no país, na primeira metade do século XX, foram ins\tuídas pela reunião de faculdades isoladas já existentes, sobretudo de Direito, Medicina e Engenharia. A par\r dos anos 1930, com o processo de modernização da universidade brasileira, os novos territórios adotaram, em termos espaciais, um modelo baseado na tradição anglo-saxã de campus. As Cidades Universitárias são parte, portanto, dos esforços de escmulo da modernização promovidos pelo Estado e constituem territórios simbólicos e espaciais, como dispositivos de difusão da modernidade. Os campi, projetados e construídos nesse período, são implantados, por vezes, distantes da área urbanizada, em espaços até então rurais e incorporados ao perímetro urbano, expondo as contradições e tensões da urbanização brasileira. Entre seu caráter segregado da vida urbana co\diana e seu potencial de se colocar como indutor de novas espacialidades e sociabilidades, surge também como infraestrutura. Hoje, essas instituições se conformam como referência urbana, como lugares dedicados à prática do ensino e das ciências, apresentando-se como “lugares de memória”, como propõe Pierre Nora. Revisitando a cultura arquitetônica brasileira, desde o projeto da Cidade Universitária do Brasil, na década de 1930, a sessão tem interesse por trabalhos que situem seus olhares sobre as camadas de temporalidades que configuraram e reconfiguram os espaços e conjuntos educacionais. Assim, são esperadas propostas que explorem as relações entre modernização, modernidade e modernismo na constituição das cidades universitárias e na configuração espacial de seus territórios, compreendidos como dispositivos simbólicos e instrumentos operativos para o desenvolvimento nacional e como infraestrutura urbana. Ou, que abordem experiências de requalificação da configuração organiza\va das instituições de ensino superior ou ainda de restauração de edificações ou planos de conservação são temas que se enquadram na presente sessão. Investigações sobre os campi universitários e o impacto no processo de urbanização e de modernização urbana. Pesquisas que discutam aspectos teóricos e projetuais que relacionem universidade e sociedade; tradição e iden\dade; ciência, tecnologia e arte, envolvendo gestores públicos, teóricos da educação e arquitetos e urbanistas em intenso intercâmbio. São aguardadas também reflexões sobre a contribuição do movimento moderno para os projetos urbanísticos das de valorização simbólica de edikcios, conjuntos ou territórios universitários pela via da síntese ou integração das artes. Interessa-nos ainda explorar as maneiras pelas quais esses espaços foram concebidos como campo prokcuo para o desenvolvimento e a inovação de sistemas e processos construtivos, constituindo-se como canteiros experimentais e laboratórios para a avaliação de soluções e propostas de técnicas e processos produtivo extensíveis ao conjunto da cidade e do território.

Como citar

CERAVOLO, Ana Lucia; CHIQUITO, Elisangela de Almeida. Cidades universitárias como estruturas urbanas, 1930-1970. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.