Coisas do Paulo
Resumo
Paulo Mendes da Rocha (1928-2021) afirmou, em 2018: “Nós estamos condenados à concomitância entre ideia e coisa. A ideia é abstrata porque o outro não sabe nunca. Você tem que transformar em coisa”. Para Paulo, o caminho mais curto entre ideia - abstrata - e coisa - concreta - poderia ser um pensamento dito em voz alta, um texto, um desenho ou uma maquete - feitos no (ou de) papel. Entre suas ideias - privadas - e suas obras construídas - públicas -, há outras tantas coisas feitas por Paulo. É interesse desta sessão discutir as coisas não construídas do Paulo, projetos exemplares que permaneceram no papel. Entre os projetos que merecem atenção, há os de escala urbana, como o Centro de Santiago (1972), a Cidade do Tietê (1980), as Baías de Vitória (1993) e de Montevidéu (1998), o projeto para as Olimpíadas de Paris 2008 (2000) e de São Paulo 2012 (2003), os equipamentos públicos, como a Casa das Retortas da Companhia de Gás de São Paulo (1977), as Bibliotecas Públicas do Rio de Janeiro (1984) e de Alexandria (1988), o Aquário Municipal de Santos (1991), o Sesc Tatuapé (1996), o Centro de Coordenação Geral do SIVAM (1998), o Pavilhão do Mar (1999), a Praça da República (2001) e a Readequação do Museu Nacional de Belas Artes (2005), e, ainda, os campi universitários, como o da Fundação Getúlio Vargas (1995), a Praça dos Museus da USP (2000), o Campus da Universidade de Vigo (2004) e o Campus Universitário ERSU em Cagliari (2007). Entre os projetos culturais, há o Centro Cultural Georges Pompidou (1971), o Museu de Arte Contemporânea da USP (1975), o Museu Constantini (1997), o Pavilhão Serpentine (2012) e o Museu do Século XX, em Berlim (2015), e, entre os projetos de habitação, há o Parque da Grota (1974) e as casas G. De Cristófaro (1971), Helena Ometto (1978), Antônio Bueno Neto (1978), Alfredo Luparelli Júnior (1990) e Torre del Gallo (2003). Esta sessão procura trabalhos que analisem criticamente os projetos de Paulo - escritos, desenhados, dobrados, enrolados, cortados ou colados guardados apenas como coisas no (ou de) papel.
Como citar
CASTRO, Carlos Eduardo Binatto de. Coisas do Paulo. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

