Depois do pilotis – uma estratégia projetual em 100 anos de Arquitetura brasileira

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

O pilotis foi estabelecido como elemento arquitetural e princípio de projeto por Le Corbusier no início do século XX. Obras com pilotis se disseminaram na Europa e nas Américas a partir da arquitetura moderna, transformando a volumetria e introduzindo novos parâmetros de permeabilidade nas edificações, num tempo em que os níveis térreos eram herméticos e maciços. A criação desse pavimento aberto e coberto flexibilizou a relação entre o espaço privado e o espaço público, antes conectados apenas pela superfície de uma fachada dita principal. O uso da estrutura independente, que possibilitou a liberação do pavimento térreo, assim como a inversão do peso na composição volumétrica da edificação, são aspectos que marcam uma transformação tipológica fundamental absorvida pela arquitetura moderna brasileira. Dessa operação deriva-se um dos tipos mais emblemáticos da modernidade na arquitetura – a lâmina, barra (ou bloco) sobre pilotis. Um século se passou desde o surgimento do conceito de pilotis e é possível encontrá-lo ao longo das décadas na historiografia da arquitetura brasileira até a contemporaneidade. O pilotis foi incorporado por sucessivas gerações de profissionais, que renovaram e ampliaram o repertório do térreo ou da base permeável. Em alguns projetos, é desenhado de modo análogo ao conceito corbusiano dos anos 1920; em outros foi reinterpretado e sofreu mutações formais, especialmente ao longo da segunda metade do século XX. A partir dos anos 2000, o conceito original do pilotis adquire um significado ainda mais abrangente, ampliando relações de permeabilidade decorrentes da liberação do nível térreo e desafiando a lógica do tipo canonizado como barra ou torre sobre pilotis, seja em edifícios de habitação, comerciais ou institucionais. A proposta dessa sessão aborda tanto interpretação tipológica quanto as transformações formais do pilotis, a fim de criar conexões analíticas entre obras distintas, dentro do amplo recorte temporal estabelecido pelo 16º Seminário DOCOMOMO Brasil. Documentar, interpretar e comparar edifícios que absorveram o conceito de pilotis será o eixo comum que unificará os trabalhos a serem incluídos para compor essa sessão. Independente da escala destes espaços ou da forma das suas estruturas, a sessão buscará aproximar obras construídas entre 1920-2020 que mantém vivo o conceito elementar de pilotis na arquitetura brasileira. O foco será selecionar estudos de caso que coloquem lado a lado soluções arquitetônicas com estratégias projetuais comuns, seja por influência conceitual, seja por condicionantes da legislação urbana. Esta proposta de sessão pretende ampliar o debate acerca do pilotis e suas variações para além das obras icônicas. Ao reconhecer o pilotis como um arranjo de configuração espacial - e não apenas um conjunto de apoios que possibilita a suspensão do edifício - torna-se possível dissecar seu conceito para reencontrá-lo em novas interpretações. Ao revisitar o pilotis por meio de seu atributos espaciais, espera-se contribuir para compreensão deste elemento, que foi incorporado a uma produção plural e que desempenhou papel fundamental para a consolidação de uma identidade da arquitetura brasileira.

Como citar

OLIVEIRA, Nathalia Cantergiani Fagundes de; BOHRER, Mônica Luce. Depois do pilotis – uma estratégia projetual em 100 anos de Arquitetura brasileira. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.