Edifícios em áreas centrais das cidades brasileiras

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

No transcurso do século XX, as principais cidades brasileiras passaram por profundas transformações decorrentes de processos de modernização econômica e de intensa urbanização. Suas áreas centrais consolidaram-se como núcleos dinâmicos de atividades financeiras, administrativas e comerciais, resultando em um expressivo conjunto de edifícios corporativos. Marcadas por vitalidade, densidade e inovação, testemunharam, especialmente a partir da década de 1920, o surgimento dos primeiros edifícios verticais favorecidos pelos avanços tecnológico do concreto armado e dos sistemas de circulação mecânica. Essas condições favoreceram o florescimento de um acervo de edifícios representativos do Movimento Moderno ao lado de outros que, embora também significativos exemplares de modernização tecnológica, senão de linguagem, permaneceram à margem da historiografia que se consagrou. Certamente, essa produção aguarda uma revisão dos critérios de valoração e classificação adotados pela crítica, desafiando os limites do modernismo ortodoxo. Nas décadas de 1980 e 1990, no entanto, o esvaziamento progressivo dessas áreas centrais têm trazido ameaças a esse patrimônio. O deslocamento de funções urbanas, a obsolescência das edificações e, mais recentemente, as transformações no mundo do trabalho — acentuadas durante a pandemia — contribuíram para o esvaziamento e a ociosidade de muitas edificações, mesmo em zonas com ampla oferta de infraestrutura e localização estratégica. Esse paradoxo evidencia a urgência de estratégias que aliem preservação e requalificação urbana. Nesse cenário, a retomada do legado moderno nas áreas centrais emerge como uma oportunidade de uma ação integrada, com benefícios sociais, culturais e ambientais. O reaproveitamento de edificações existentes se impõe como estratégia sustentável frente à expansão urbana, à produção de resíduos e à emissão de gases. Ao mesmo tempo, a reconversão funcional desses edifícios pode fomentar o repovoamento das áreas centrais e promover sua reintegração à vida urbana. Neste quadro, tem se colocado de maneira cada vez mais frequente o desafio do reaproveitamento de edificações pré-existentes, reconvertidas e adaptadas. Uma nova dimensão da atividade de projeto toma corpo no campo profissional. E, ao fazê-lo, traz simultaneamente, um universo de questões cuja resposta e debate é urgente. Como conservar o legado da produção moderna senão por sua apropriação intensa, integrada ao circuito social e atualizada às exigências da vida contemporânea? Como se definem novos critérios de projeto contidos nos limites de estruturas arquitetônicas pré-definidas? O que deve ser conservado, mantido, preservado e restaurado, em respeito aos valores da obra legada do passado e o que pode ser alterado, transformado, adaptado em resposta às demandas atuais? A proposta desta mesa é discutir essas questões à luz de experiências de reutilização e reconversão de edifícios modernos em áreas centrais brasileiras, explorando caminhos projetuais, critérios de intervenção e marcos conceituais para uma preservação ativa e comprometida com a vida contemporânea.

Como citar

CARRILHO, Marcos José; WOLFF, Silvia Ferreira Santos. Edifícios em áreas centrais das cidades brasileiras. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.