Ensino do moderno na Arquitetura como proposta para o século XXI
Resumo
As intrincadas relações entre a arquitetura moderna e o seu passado constituem um fértil campo de investigações e revisões. Inicialmente marcada por uma negação da história em prol do avanço, a arquitetura moderna transitou pelo ecletismo historicista das primeiras décadas do século XX, para posteriormente incorporar as raízes culturais, especialmente na produção latino-americana a partir dos anos 1930. Sua inserção como conteúdo didático nas disciplinas de história da arquitetura, a partir da década de 1960, e a sua consolidação como campo de pesquisa com a criação dos programas de pós-graduação nos anos 1970 pavimentaram o caminho para uma revisão crítica à luz das pautas contemporâneas. Considerando o tema do 16º Seminário Docomomo Brasil, o debate sobre o papel da arquitetura moderna na formação profissional do século XXI revela-se não apenas oportuno, mas essencial. Se, por um lado, o vasto legado de obras e projetos modernos continua a inspirar e servir como referência fundamental para as novas gerações de arquitetos e urbanistas, por outro, a historiografia desse período tem sido objeto de críticas significativas. A leitura atenta da produção crítica e historiográfica dos autores modernos assume um papel crucial para a análise das questões e das obras contemporâneas. Como pertinentemente nos alertou Denis Diderot, é a prática que invariavelmente precede e fundamenta a teoria. A historiografia da arquitetura moderna, em suas múltiplas dimensões – seja no conteúdo abordado, nas metodologias empregadas ou nas teorias propostas – pode oferecer uma contribuição rica e indispensável à formação profissional. Trata-se de um conjunto de autores nacionais como Lúcio Costa, Paulo Ferreira Santos, Sílvio Vasconcellos, Henrique Mindlin e Carlos A. C. Lemos, e de pensadores estrangeiros de igual importância, como Nikolaus Pevsner, Bruno Zevi, Manfredo Tafuri, Marina Waisman, Kenneth Frampton, William Curtis, Jean Louis Cohen e Josep Maria Montaner. Esta proposta busca levantar e aproximar experiências que garantam uma revisão crítica consistente e fundamentada e estabeleça um um diálogo profícuo entre o legado desses autores clássicos e a produção intelectual da geração contemporânea, representada por nomes como Adrián Gorelik, Miwon Kwon, Ynaê Lopes dos Santos, Luis Fernando Lara, Ruth Verde Zein, Ailton Krenak, Grada Kilomba, Nego Bispo de maneira a garantir avanços significativos e enriquecedores para o campo disciplinar da arquitetura e do urbanismo. Levantamos algumas questões para os envolvidos com o ensino e a prática da arquitetura: como podemos, de maneira mais eficaz e engajadora, apresentar e discutir o legado da arquitetura moderna na formação dos profissionais do século XXI? Que novas perspectivas e releituras podem surgir de um encontro renovado com os textos e as obras que fundamentaram o pensamento arquitetônico moderno? Que tipo de diálogo crítico e construtivo podemos estabelecer entre as lições do passado e os desafios urgentes do presente e do futuro? Este painel propõe-se a convidar docentes e pesquisadores a refletir de maneira coletiva sobre o papel do ensino da arquitetura moderna na construção de um futuro mais consciente e engajado com a nossa própria história.
Como citar
CAMARGO, Mônica Junqueira de; COSTA, Sabrina Studart Fontenele. Ensino do moderno na Arquitetura como proposta para o século XXI. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

