Espaços do ócio: turismo, Arquitetura e infraestrutura na modernidade
Resumo
O advento das práticas socioespaciais de lazer e turismo no contexto da modernidade, sobretudo a partir de meados do século XX, intensificou os fluxos, usos e apropriações do território e da arquitetura. Nesse cenário de crescente complexidade, é importante ressaltar que o “espaço turístico” se insere no processo de produção e consumo do espaço vinculado à reprodução da acumulação capitalista, uma vez que sua incidência espacial coincide com outras práticas sociais. Entretanto, o turismo redimensiona e cria novos usos e apropriações em diversas escalas territoriais, com implicações diretas na produção da arquitetura e na construção de infraestruturas destinadas ao ócio, além de atuar como indutor de processos de urbanização. A relação entre o turismo, a arquitetura e as infraestruturas se espacializa a partir dos principais serviços necessários à sua viabilização: meios de hospedagem (hotéis, pousadas, albergues, colônias de férias, balneários, etc.), meios de transporte (infraestruturas viárias, terminais de passageiros, estações, etc.) e atrativos turísticos (intervenções em ambientes naturais e distintos atrativos turísticos construídos). Assim, as práticas de lazer e turismo impõem novas exigências programáticas, espaciais, funcionais e formais para sua fruição, inserindo-se em um processo socioespacial mais amplo, relacionado à urbanização turística — impulsionada pelo lazer e pelo consumo — distinta da urbanização industrial, atrelada ao trabalho e à produção. A disseminação das práticas socioespaciais do ócio na modernidade coincide com o desenvolvimento e afirmação do Movimento Moderno. Nesse sentido, a arquitetura e as infraestruturas turísticas da modernidade são simultaneamente condição e produto da modernização. Diante do exposto, cabe questionar: como as práticas sociais (econômicas, políticas e cultural-ideológicas) do ócio (turismo e lazer) na modernidade se relacionam dialeticamente com a produção da arquitetura e das infraestruturas modernas? Qual o lugar desses “espaços do ócio” na historiografia do Movimento Moderno? Qual o legado histórico e cultural, bem como os desafios relacionados à documentação, conservação e intervenção desse/ nesse acervo, face às novas dinâmicas urbanas e turísticas contemporâneas? O objetivo desta sessão é promover e ampliar o debate sobre a relação entre o turismo, a produção da arquitetura moderna e a provisão de infraestruturas na modernidade, enfatizando a dimensão cultural, histórica e contemporânea (“o futuro do passado”) desses “espaços do ócio”. A relevância da sessão fundamenta-se em alguns aspectos, a saber: a escassez de pesquisas sobre a relação entre turismo, arquitetura e infraestruturas na modernidade, sobretudo no Brasil — o que torna essa discussão uma contribuição importante para a historiografia do Movimento Moderno, ao valorizar essa produção, seus agentes e sua memória — e a necessidade de discutir como as transformações e dinâmicas socioespaciais contemporâneas têm ameaçado, de forma progressiva e acelerada, a manutenção e conservação desse importante legado. Por fim, a sessão acolhe trabalhos que problematizem a documentação, conservação e intervenção nos “espaços do ócio”, expressos nas distintas tipologias arquitetônicas e infraestruturas modernas destinadas às atividades turísticas em diferentes escalas.
Como citar
PAIVA, Ricardo Alexandre. Espaços do ócio: turismo, Arquitetura e infraestrutura na modernidade. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

