Palavras e obras: relações entre teoria e projeto a partir de 1960

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Dentro dos esquemas interpretativos recorrentes sobre a arquitetura moderna nacional, é comum o reconhecimento de Brasília como ápice e ponto de inflexão. O período aberto após sua realização é marcado por impasses, desorientação e tentativas de reorganização do campo profissional: o fim de uma relação inconteste entre identidade nacional e arquitetura moderna, o desenvolvimentismo autoritário e tecnocrático imposto pela ditadura civil-militar, e o giro do campo profissional ao planejamento urbano, relegando o debate arquitetônico a um segundo plano, como afirma Zein e Bastos (2010). Segundo as autoras, entre as tensões do momento observa-se uma “ruptura entre o discurso e a obra, entre o fazer e o pensar arquitetura, entre a prática profissional e a teoria arquitetônica” (idem, p. 109). No embalo do “milagre econômico” observa-se o que Segawa considera o “açambarcamento de uma vanguarda” (2014, p. 190), período de febril atividade da construção civil, no qual “O excesso de trabalho embaraçava a autocrítica” (idem, p. 191). Em termos gerais, não há dúvidas de que as décadas de 1960 e 1970 experimentaram um enfraquecimento da reflexão crítica sobre a arquitetura no Brasil, com a desaparição das principais revistas de arquitetura existentes, que apenas retomaram certa posição de relevância a partir dos anos 1980. No entanto, as relações entre teoria e prática são indissolúveis, mesmo quando não evidenciadas. Sob a ausência de uma crítica ativa e propositiva, livros, revistas, imagens, teorias e relações interpessoais circulavam entre os arquitetos e mantinham viva uma teia de referências conceituais que subjazem na produção dessas décadas, muitas com forte caráter experimental. Esta sessão busca trabalhos que apresentem a vinculação teórico-prática na produção arquitetônica brasileira a partir da década de 1960. Essa relação pode ser examinada de distintas maneiras, entre as quais: o conhecimento adquirido na formação acadêmica do profissional; os vínculos profissionais (interlocutores, parceiros e clientes) e institucionais (instituições de ensino e de classe); ou a circulação de publicações internacionais e nacionais, entre outras. Também é de interesse a interpretação de escritos, conferências, entrevistas e debates protagonizados por profissionais da época - todos aqueles ligados ao campo da arquitetura: projetistas, críticos, professores, construtores etc. -, relacionando-os a uma ou mais obras de arquitetura. Serão priorizados estudos de caso que tratem de profissionais ainda pouco visibilizados, ou revisões críticas que tragam contribuições novas sobre a produção teórico-prática de atores reconhecidos. No mesmo sentido, receberão atenção especial os trabalhos que utilizem fontes de pesquisa primárias e inéditas, como documentos e imagens originais ou nunca publicados.

Como citar

CABRAL, Maria Cristina Nascentes; GIROTO, Ivo Renato. Palavras e obras: relações entre teoria e projeto a partir de 1960. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.