Reinterpretar a Arquitetura e o Urbanismo modernos: uma missão possível

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

A revisão, reinterpretação e, inclusive novas interpretações do movimento moderno no Brasil, vem, nos últimos anos, permitindo a descoberta de novos paradigmas, enfoques e experiências (da escala arquitetônica à escala urbana, passando inclusive pelo pensamento teórico) ignoradas, apagadas ou sombreadas por um conjunto de produção hegemônica que fortalece (ainda) um olhar estabelecido e bem definido da experiência moderna no Brasil que, por sua vez, dá ênfase e destaque a atores e obras específicas. Os acervos, arquivos, documentos e, inclusive, as revistas especializadas da época vem servindo de guias direcionado as pesquisas para outros paradigmas que tornam a experiência e constituição do moderno no país muito mais complexa e diversificada. Neste campo, registram-se avanços historiográficos importantes acerca da difusão da produção arquitetônica moderna em território nacional revelando uma rede de circulação de ideias que ajudou a alargar a cartografia da experiência moderna brasileira para além da triangulação RJ-SP-MG. Por outro lado, ainda predominam as críticas ao desenho urbano moderno que parecem não perceber a intencionalidade de suas áreas verdes e de seus espaços não construídos. A demolição do conjunto residencial Pruitt-Igoe e a certidão de óbito anunciada por Charles Jencks ainda hoje condicionam a crítica direcionada ao urbanismo moderno e ajudam a formatar um preconceito histórico que, em certa medida, dificulta processos de reconhecimento de valor a certos conjuntos urbanos com especial ênfase aos habitacionais. Por exemplo, as pesquisadoras brasileiras Luciana Saboia e Beatriz Gomes trouxeram contribuições importantes a esta revisão ao interpretar os vazios de Brasília como, respectivamente, “vazio planejado” e “vazio intencionado” advogando em favor de seu sentido social e cultural. Esta sessão pretende abordar, pelo menor, duas importantes perspectivas: a abertura para uma diversidade de atores e obras que mostram campos ainda pouco explorados e a possibilidade de leituras historiográficas que contribuam para o reconhecimento da produção do Movimento Moderno em sentido ampliado. Para ambos os casos, o retorno às fontes (primárias ou secundárias) constitui um processo indispensável. Nesse contexto, pretende-se refletir sobre como a revisão historiográfica (a partir dos periódicos especializados e dos arquivos de arquitetura) nos podem ajudar a revisar e repensar princípios teóricos, além de experiências projetuais, que nos auxiliem a aprender ou reaprender com o urbanismo moderno? Que lições ainda podem ser apreendidas através do desenho urbano moderno? E ainda, como essa revisão nos pode dar subsídios para sanar eventuais lacunas e reminiscência da arquitetura e do urbanismo modernos no Brasil dos 1920 até, inclusive, a atualidade? Espera-se propostas que tragam contribuições para refletir sobre os questionamentos expostos a partir da exploração e/ou revisão de fontes primárias, lançando um olhar “contemporâneo” à reflexão do “moderno”.

Como citar

HUAPAYA ESPINOZA, José Carlos; GALVÃO, Carolina Marques Chaves. Reinterpretar a Arquitetura e o Urbanismo modernos: uma missão possível. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.