Viagens e Arquitetura
Resumo
Viajar pelo território nacional é um ato que faz parte do ímpeto moderno brasileiro. Em 1924, foi trilhada uma estrada que apontava Minas Gerais como berço de uma tradição moderna. O grupo de intelectuais paulistas Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, visitou, entre outras cidades, São João Del Rei, Tiradentes, Sabará, Ouro Preto e Congonhas do Campo. Do Rio de Janeiro, o arquiteto Lucio Costa foi adiante e chegou a Diamantina. Se Minas Gerais já se colocava como desafio inédito para os olhares que percorriam o país cativados por uma pretensão inovadora, quem iria mais longe? Mário de Andrade percorreu fronteiras brasileiras distantes e foi à Amazônia em 1927. Nos anos seguintes, visitou o Nordeste. O viajante aprendiz desvendou e registrou horizontes plurais que se refletiram em suas obras. Nos anos de 1930, são marcantes as excursões capitaneadas pelo SPHAN: das inúmeras viagens de Rodrigo Melo Franco de Andrade pelo país a aquelas realizadas por seus técnicos e colaboradores, incluindo a emblemática ida de Lucio Costa à São Miguel das Missões no Rio Grande do Sul. Viajar era uma ferramenta constante do patrimônio, mas também da arquitetura e suas narrativas. Para além de Mário e Lucio, essa sessão propõe debater viagens de modernos intelectuais, arquitetos ou não, brasileiros ou estrangeiros, pelo território nacional ou além dele. Parte-se da definição de “viagem” proposta por James Clifford1, na qual o termo abarca diversas práticas, mais ou menos voluntárias, de se deixar a “casa” para ir a outro lugar com propósitos materiais, espirituais ou científicos. Dessa maneira, lembramos também dos deslocamentos feitos por imigrantes de mudança definitiva para o Brasil, ou ainda as práticas isoladas de viagens nas quais personalidades por aqui passaram criando efeitos de ambos os lados, para aqueles que viajaram e para as artes locais. Conforme especifica Beatriz Colombi2, adicionamos a importância de pensar no sujeito – quem está viajando e se expondo à alteridade e como as posições que adota em relação a este outro são definidoras para as tramas narrativas que serão construídas. São esperados trabalhos que tenham como ponto de partida viagens e deslocamentos, que analisem seus registros — sejam eles escritos, desenhos, fotografias ou projetos — e que discutam seus desdobramentos na arquitetura moderna brasileira.
Como citar
REGIANI, Luana Espig; DAUFENBACH, Karine. Viagens e Arquitetura. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

