Recife e Rio de Janeiro: influências na produção da Arquitetura Moderna em Natal
Resumo
A cidade do Natal/RN inicia o século XX com sua arquitetura totalmente impregnada pelo estilo Neocolonial e pelo estilo denominado Eclético. Sobrevivem, também, reminiscências do casario colonial com seus telhados desaguando diretamente nas ruas, através dos beirais, durante muito tempo delimitando seu espaço. Em 1935, no governo Rafael Fernandes, a cidade passa por transformações urbanísticas que vão ter repercussões também com relação à arquitetura. Uma nova linguagem arquitetônica é dada a conhecer através das propostas para os novos edifícios públicos, como por exemplo, as Estações Ferroviária e Aeroportuária, integrantes do projeto realizado pelo escritório de Saturnino de Brito, em 1935. O Mercado Público da Cidade Alta, inaugurado em 1937, apresenta uma fachada totalmente destituída de ornamentos e com a predominância de linhas retas. Mais expressivo é o projeto do edifício da Comissão de Saneamento de Natal, situado na Avenida Rio Branco e concebido também pelo escritório de Saturnino de Brito. Em suas fachadas podem ser vistas influências de Walter Gropius (BAUHAUS) e Le Corbusier. Depois de atravessar meio século produzindo uma arquitetura impregnada de saudosismo histórico, nos anos 1950, Natal seria introduzida definitivamente na modernidade arquitetônica. Projetos elaborados por arquitetos, construtores e desenhistas dão lugar a exemplares da mais pura expressão modernista como a sede do América (1959) projeto de Delfin Amorim, arquiteto português radicado em Recife; edifício do INSS/Ribeira (1954), projeto de Raphael Galvão Júnior – arquiteto carioca; sede do ABC, projeto de Agnaldo Muniz (1959) - desenhista local - , entre outros. Os anos 60 e 70 consideram-se os mais significativos; segundo Seabra de Melo (2004), são assim conceituados: década de 60 – momento de consolidação e maior domínio sobre as possibilidades do léxico formal e da técnica construtiva modernos; década de 70 – fase do Brutalismo Potiguar e de dispersão do ideário modernista. Nesse cenário destacam-se os arquitetos potiguares Ubirajara Galvão, Daniel Hollanda e Raimundo Gomes, formados pela UFPE, representantes da escola recifense; e, João Maurício Fernandes de Miranda e Moacir Gomes, formados pela Faculdade Nacional de Arquitetura, então Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.Este artigo lança uma reflexão sobre a produção da arquitetura moderna em Natal/RN e, principalmente, sobre a produção do arquiteto João Maurício Fernandes de Miranda. Observa-se em sua produção forte influência dos princípios corbusierianos diluídos através da tradução disseminada pela Escola Carioca, filtrados pela realidade local, no sentido de “acomodar” esses princípios ao seu contexto, ajudando a produzir sua versão da arquitetura moderna. Pretende-se considerar a produção de arquitetos, engenheiros e desenhistas que tiveram participação nesse processo, através de entrevistas e bibliografia especializada.
Palavras-chave
Abstract
The city of the Natal/RN begins the XX century with its architecture totally impregnated by the Neocolonial Eclectic styles and with reminiscence of the colonial architecture, with inclined roofs and eaves delimiting the streets. In 1935, during the Rafael Fernandes administration, the city went through urban changes that influenced the architecture. A new architectural language appeared with the new public buildings, as the transport stations projected by Saturnine de Brito office, in 1935. The Public Market at Cidade Alta, inaugurated in 1937, has a façade without ornaments and with the predominance of lines straight lines. Even more expressive is the project of the Commission of Sanitation of Natal building, project by the same office, with façades influenced by Walter Gropius (BAUHAUS) and Le Corbusier. After the first half century with architecture production impregnated with nostalgia, Natal was introduced to the modern architecture in the 50´s. Architects, builders and drawers produced the purest modern architecture such as the America club (1959), by Delfim Amorim; INSS/Ribeira (1954), by Raphael Galvão Júnior; ABC club, by Agnaldo Muniz (1959). The 60´s and 70´s are the most significant, according to Seabra de Melo (2004). The 60´s corresponds to the consolidation and higher domain of the modern techniques and modernism expression. The 70´s corresponds to the Brutalism Potiguar phase and the dispersion of the modernist ambitions. In this scene, the most expressive expressions are the potiguares architects Ubirajara Galvão, Daniel Hollanda and Raymond Gomeses graduated at the Federal University of Pernambuco and the Recife school, and João Maurício Fernandes de Miranda and Moacir Gomeses, graduated at the National College of Architecture, then University of Brazil , Rio de Janeiro . This paper launches a reflection on the production of the modern architecture in Natal/RN and, mainly, on the production of the architect João Maurício Fernandes de Miranda.
Keywords
Como citar
PEREIRA, Marizo Vitor; NOBRE, Paulo José Lisboa. Recife e Rio de Janeiro: influências na produção da Arquitetura Moderna em Natal. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO NORTE/NORDESTE, 2., 2008, Salvador. Anais [...]. Salvador: Núcleo Docomomo BA.SE / UFBA, 2008. DOI: 10.5281/zenodo.19293335.
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Ficha catalográfica
2º Seminário Docomomo Norte/Nordeste: anais: desafios da preservação: referências da arquitetura e do urbanismo modernos no Norte e Nordeste [recurso eletrônico]. Salvador: Núcleo Docomomo BA.SE; UFBA, 2008.

