Paradoxos do valor artístico e a definição de critérios de preservação na arquitetura, inclusive moderna

Capa dos anais

2º Seminário Docomomo Norte/Nordeste, Salvador, 2008

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19293364

Resumo

Se uma árvore cai na floresta e ninguém está lá para ver, será que ela caiu mesmo? Esse conhecido paradoxo parece fácil de superar quando o fato (não) observado pertence ao campo dos fenômenos naturais, para os quais a presença humana não é necessária ou relevante na garantia de seu estatuto existencial. Mas, e quando se tratam de fatos da cultura? Se uma obra de arte excepcional não é reconhecida como tal, será que ela o é mesmo? Onde está o valor artístico: na obra, no autor, ou no observador? A quem caberá atribuir ou outorgar valor artístico? E como garantir que esse processo seja correto e aceitável? E finalmente, como essas questões podem ser aplicadas na arquitetura - arte permeada por seu valor de uso e tensionada por seu valor de troca? Mas será suficiente atribuir valor artístico excepcional a uma obra de arquitetura para que ela mereça ser preservada? Esses e outros questionamentos e paradoxos podem ser abertos; mas todos afinal remetem sempre a uma questão de base: a definição de critérios de avaliação. Uma obra de arte pode ser absoluta, mas uma obra de arte ou arquitetura que se deseje, mais do que preservar, ser legalmente definida como protegida, não pode dispensar a definição de critérios de avaliação. Mas, mesmo que uma planilha ideal fosse organizada, deixando explícitos e graduados os critérios a serem considerados; e mesmo que essa planilha pudesse ser efetivamente aplicada - quem ou o quê garantiria que ela tivesse legitimidade? Como assegurar sua aceitação como padrão básico de apoio para a definição dos critérios de seleção e escolha, por todos os interessados? Embora não sejam os únicos agentes atuando nesse complexo processo, caberia aos arquitetos definir os aspectos que nos concernem, e que serão maioria. Desses temas tratará esta comunicação, buscando melhor detalhá-los e fundamentá-los.

Palavras-chave

Abstract

If a tree falls down in the woods and nobody is there to see it, did it really fall? This commonplace paradox seems quite easy to overcome when facts (un) observed are natural phenomena, for which human presence is not necessary or relevant to guarantee its existential status. Yet, what happens when it comes to cultural facts? If a remarkable work of art is not acknowledged as such, the question comes again: is it really outstanding? Where does the artistic value lie: in the work itself, in the author or in the observer? And how to guarantee this as a correct and acceptable process? And lastly, how can this issue possibly be valid to architecture – an art permeated by its usefulness and stressed by its financial value? However, to consider an architectural piece worth being preserved is it necessary to acknowledge its artistic and exceptional value? Other paradoxes and questionings can be presented, but in the end they will always refer to a basic issue: the definition of evaluation criteria. A work of art can stand absolute, but when a work or art or architecture is to be preserved, and more than that, legally protected, the characterization of the criteria definition cannot be abolished. Even if an ideal chart could be organized, explaining and grading the relevant criteria and even if this chart were successfully applied – who or what would guarantee its legitimacy? How to warrant its acceptance by everyone involved and assure its authority as the basic pattern for the definition of selection and preservation criteria? Even though architects are not the only agents working on this complex process, it would be our role at least to characterize the aspects that concern us: This paper will deal with these topics in order to better detail and explain them.

Keywords

Como citar

ZEIN, Ruth Verde; DI MARCO, Anita Regina. Paradoxos do valor artístico e a definição de critérios de preservação na arquitetura, inclusive moderna. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO NORTE/NORDESTE, 2., 2008, Salvador. Anais [...]. Salvador: Núcleo Docomomo BA.SE / UFBA, 2008. DOI: 10.5281/zenodo.19293364.

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Ficha catalográfica

2º Seminário Docomomo Norte/Nordeste: anais: desafios da preservação: referências da arquitetura e do urbanismo modernos no Norte e Nordeste [recurso eletrônico]. Salvador: Núcleo Docomomo BA.SE; UFBA, 2008.