Decrépitos espaços de fantasias: a memória dos clubes sociais da cidade de João Pessoa
Resumo
Na cidade de João Pessoa, os clubes sociais são hoje reminiscências de um passado próximo. Enquanto registros da memória coletiva, estes clubes relatam um tempo de mudanças na sociedade que, entre o final do século XIX e primeiras décadas do século XX, buscava congregar-se em torno destas “irmandades de lazer”, desejando incorporar-se a um novo modo de vida e exibir o “status social”. São depositários deste passado, o Clube Astréa, o Esporte Clube Cabo Branco, o Iate Clube da Paraíba, o Clube dos Médicos, os quais têm em comum, também, o fato de serem marcos da produção da arquitetura moderna em João Pessoa, linguagem adotada, talvez, por se mostrar adequada para este “moderno” tipo edificado que surgia na cidade naquela época. A concepção de seus projetos envolveu arquitetos de renome regional e local, como: Acácio Gil Borsoi e Mário di Láscio. No entanto, desde a década de 1980, quando começaram a declinar os grandes bailes de carnaval e demais festas sociais, estes clubes vêm enfrentando problemas financeiros e a degradação física de suas sedes, sujeitas a leilões públicos para pagamento de dívidas. Hoje, são espaços corrompidos por usos para os quais não foram projetados, ou obsoletos e esvaziados de suas funções e usuários, mas não perderam seu valor simbólico para a sociedade pessoense. São decrépitos espaços de fantasias de uma sociedade que ainda tem nestes suas âncoras de memória, seus ícones de um passado de “Arlequins, Pierrôs e Colombinas”. A questão que aqui se coloca é: quais as perspectivas para preservar esta memória? Como devem ser preservadas estas edificações cuja função já não é pertinente ao momento atual?
Palavras-chave
Abstract
In the city of João Pessoa, social clubs today are reminiscent of a recent past. While records of the collective memory, these did report a time of changes in society that between the late nineteenth and early twentieth century, sought to congregate around these "Brotherhoods of leisure", wishing to incorporate a new way of life and display a "social status". They are custodians of this past, the Club Astréa, the Esporte Clube Cabo Branco, the Paraíba Yacht Club, the Club of Physicians, which have in common, too, that they are landmarks of modern architectural production of João Pessoa, language adopted perhaps because it will be appropriate for this "modern" type built that appeared in the city, at that time. The design of their projects involving architects renowned regional and local levels, as Acacio Gil Borsoi and Mario di Lascio. However, since the 1980s, when began to decline the big carnival dances and other social events, these clubs are facing financial problems and physical deterioration of their offices, subject to public auction to pay debts. Today, their spaces are corrupted by uses for which were not designed or obsolete and emptied of their functions and users, but did not lose its symbolic value to society pessoense. Are decrepit spaces of fantasies to a society that still has these anchors to its memory, its icons of a past of "Harlequins, Columbines and Pierrots. The question that arises here is: what are the prospects for preserving this memory? How should these be preserved buildings whose function is no longer relevant to the present moment?
Keywords
Como citar
MOURA FILHA, Maria Berthilde de B. L.; AZEVEDO, Maria Helena de Andrade. Decrépitos espaços de fantasias: a memória dos clubes sociais da cidade de João Pessoa. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO NORTE/NORDESTE, 3., 2010, João Pessoa. Anais [...]. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2010. ISBN 978-85-237-0559-6. DOI: 10.5281/zenodo.19293410.
Referências
- AYMONINO, Carlo. O Significado das Cidades. Lisboa: Editorial Presença, 1984.
- BRASILEIRO, Vanessa Borges. A Legislação de Preservação do Patrimônio Ambiental Urbano: uma abordagem arquitetônica contemporânea. Cadernos de Arquitetura e Urbanismo (PUCMG), Belo Horizonte, v. 8, n. 9, p. 115-146, 2001.
- CARDOSO, Gabriela Maria de Lima. As Festividades Religiosas na Parahyba do Norte na segunda metade do século XIX. João Pessoa:UFPB, 2007. Texto elaborado como resultado de uma pesquisa de inic iação científica.
- CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. 3ª Ed. São Paulo : Estação Liberdade: UNESP, 2006.
- FREIRE, Antônio. Fruto da terra. João Pessoa: Ed. A I mprensa, 1968.
- LE GOFF, Jacques. História e Memória. 2ª Ed. São Paulo: Editora d a UNICAMP, 1992.
- LEAL, Wills. No tempo do lança-perfume. 2ª Ed. João Pessoa: s.e., 2000.
- LINS, Juliane; MARTINS, Pedro; MEIRA, Flora. Clube Astréa. História da sociedade e da arquitetura pessoense. João Pessoa: UFPB, 2006. Trabalho elaborado para a disciplina Intervenção em Áreas Históricas do Curso de Arquitetura e urbanismo. Manifesto de Amsterdã. Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico. 1975.
- Manifesto de Amsterdã. Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico. 1975.
- MEDEIROS, Coriolano de. O Tambiá da Minha Infância. João Pessoa: A União, 1994.
- NEEDELL, Jeffrey D. Belle Époque Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
- PEREIRA, Fúlvio Teixeira de Barros. Difusão da Arquitetura Moderna na cidade de João Pessoa (1956-1974). São Carlos: Escola de Engenharia de São Carlos; Universidade de São Paulo, 2008. Dissertação de mestrado em Arquitetura e Urbanismo.
- ROSSI, Aldo. Arquitetura da Cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
- TINEM, Nelci. Desafios da Preservação da arquitetura moderna: o caso da Paraíba. Cadernos PPGAU/FAUFBA, Salvador, 2010. (no prelo).
Ficha catalográfica
3º Seminário Docomomo Norte/Nordeste: anais: morte e vida severinas: das ressurreições e conservações (im)possíveis do patrimônio moderno no Norte e Nordeste do Brasil [recurso eletrônico]. João Pessoa: UFPB, 2010. 732 p.

