Entre a água e o concreto: a atitude moderna no Centro de Maceió-AL
Resumo
“Paisagem de ilha abandonada” e “Terra de gente quase anfíbia”. As palavras do arquiteto Lúcio Costa em 1926 e do antropólogo Gilberto Freyre em 1948, respectivamente, sugeriam a cidade de Maceió como lugar da água. Na segunda metade do século XX, a capital vai aos poucos se afastando desse destino quando, finalmente, pavimentações, pontes e edifícios lisos começam a construir outra camada de memória nas suas preexistências e expansões. As ruas do seu Centro oitocentista, já marcadas pelo retilíneo, vão compartilhar espaço com generosas praças retangulares e edifícios cúbicos representando o desejo de “sair do antigo”. Contudo, esse outro e expressivo arranjo espacial parece não se encontrar na contemporaneidade, sendo dilacerado, abandonado, arruinado, demolido, o que faz do registro, sobretudo o gráfico, um forte aliado para aqueles que se colocam diante do desafio de compreender a história desse percurso. Nesse sentido, pretende-se, com esse artigo, construir uma narrativa sobre a memória das atitudes modernas em Maceió, a partir da reunião e revisão de desenhos e fotografias que documentam o bairro do Centro e esse momento de mudança na paisagem e na forma de pensar essa cidade que, um século depois, retoma a água como principal motivador de sua produção espacial.
Palavras-chave
Abstract
"Abandoned island landscape" and "Land of almost amphibious people". The words of the architect Lúcio Costa in 1926 and the anthropologist Gilberto Freyre in 1948, respectively, suggested the city of Maceió as a place of water. In the second half of the twentieth century, the capital gradually moves away from this fate when, finally, pavement, bridges and flat buildings begin to build another layer of memory in its pre- existences and extensions. The streets of its 19th century Center, already in rectilinear arrangement, will share space with generous rectangular squares and cubic buildings representing the desire to “move out from the old”. However, this expressive spatial arrangement doesn’t seem to find itself in contemporary times, being torn, abandoned, ruined, demolished… which make records, especially graphic ones, strong allies for those who face the challenge of understanding that moment’s history. For that matter, it’s intended, with this article, to build a narrative about the memory of modern attitudes in Maceió, from the reunion and review of drawings and photographs that document the Center neighborhood, the landscape transformation and the way of thinking changes in this city that, a century later, takes back water as the main motivator of its space production. "Abandoned island landscape" and "Land of almost amphibious people". The words of the architect Lúcio Costa in 1926 and the anthropologist Gilberto Freyre in 1948, respectively, suggested the city of Maceió as a place of water. In the second half of the twentieth century, the capital gradually moves away from this fate when, finally, pavement, bridges and flat buildings begin to build another layer of memory in its pre- existences and extensions. The streets of its 19th century Center, already in rectilinear arrangement, will share space with generous rectangular squares and cubic buildings representing the desire to “move out from the old”. However, this expressive spatial arrangement doesn’t seem to find itself in contemporary times, being torn, abandoned, ruined, demolished… which make records, especially graphic ones, strong allies for those who face the challenge of understanding that moment’s history. For that matter, it’s intended, with this article, to build a narrative about the memory of modern attitudes in Maceió, from the reunion and review of drawings and photographs that document the Center neighborhood, the landscape transformation and the way of thinking changes in this city that, a century later, takes back water as the main motivator of its space production.
Keywords
Resumen
"Paisaje de isla abandonada" y "Tierra de personas casi anfibias". Las palabras del arquitecto Lúcio Costa en 1926 y el antropólogo Gilberto Freyre en 1948, respectivamente, sugirieron la ciudad de Maceió como un lugar de agua. En la segunda mitad del siglo XX, la capital se aleja gradualmente de este destino cuando, finalmente, los pavimentos, puentes y edificios lisos comienzan a construir otra capa de memoria en su preexistencia y expansión. Las calles de su Centro del siglo XIX, ya marcado por lo rectilíneo, compartirán espacio con generosas plazas rectangulares y edificios cúbicos que representan el deseo de "salir de lo viejo". Sin embargo, esta otra disposición espacial expresiva no parece encontrarse en los tiempos contemporáneos, siendo desgarrada, abandonada, arruinada, demolida, lo que hace que el registro, especialmente el gráfico, sea un fuerte aliado para aquellos que enfrentan el desafío de comprender la historia de este ruta. En este sentido, se pretende, con este artículo, construir una narrativa sobre la memoria de las actitudes modernas en Maceió, a partir de la reunión y revisión de dibujos y fotografías que documentan del Centro y este momento de cambio en el paisaje y en la forma de pensar sobre esta ciudad que, un siglo después, vuelve al agua como el principal motivador de su producción espacial.
Palabras clave
Como citar
OLIVEIRA, Roseline Vanessa Santos; CASSELLA, Tamires Aleixo; CARVALHO, Tuanne Monteiro de. Entre a água e o concreto: a atitude moderna no Centro de Maceió-AL. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO NORTE/NORDESTE, 8., 2021, Palmas. Anais [...]. Palmas: UFT / AMA, NAMA, CEULP, 2021. ISBN 978-65-00-71382-4. DOI: 10.5281/zenodo.19294560.
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Ficha catalográfica
8º Seminário Docomomo Norte/Nordeste: anais: transferências culturais, historiografia, intervenções e cidade moderna [recurso eletrônico] / organização: Marianna Cardoso. Palmas: AMA, NAMA, UFT, CEULP, 2021. ISBN 978-65-00-71382-4

