Arquitetura Moderna e o cemitério: análise da evolução tipológica e simbólica nos cemitérios de Belém-PA

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10º Seminário Docomomo Norte/Nordeste, Campina Grande, 2024

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19295240

Resumo

Os cemitérios, além de serem locais de repouso final para os falecidos, também refletem as mudanças culturais, sociais e religiosas de uma sociedade. A história da arquitetura funerária remonta a milênios, desde os túmulos antigos até as grandiosas necrópoles das civilizações antigas. Com o advento da arquitetura moderna no século XX, os cemitérios começaram a refletir os princípios dessa estética. Linhas limpas, simplicidade geométrica e materiais como concreto, vidro e aço passaram a ser incorporados ao design funerário. Túmulos e mausoléus tornaram-se mais minimalistas, refletindo uma mudança na percepção da morte e do luto na sociedade moderna. Além da estética, a simbologia nos cemitérios modernos também se modificou. Enquanto símbolos religiosos tradicionais ainda são comuns, novos elementos simbólicos surgiram para refletir as crenças e valores contemporâneos. Para a realização deste trabalho, utilizou-se a pesquisa bibliográfica e documental como metodologia. Seu objetivo é analisar a evolução tipológica e simbólica que os cemitérios vivenciaram ao longo da evolução da arquitetura, com foco específico na arquitetura moderna, e como esse processo esclarece as relações da sociedade belenense com a representação da morte. Este estudo se justifica pela importância de reconhecer que, apesar das mudanças na arquitetura e na simbologia, os cemitérios continuam a desempenhar um papel vital na sociedade, oferecendo um espaço sagrado para o luto, a lembrança e a reflexão. Pode-se concluir que a arquitetura moderna nos cemitérios de Belém reflete não apenas a evolução estilística e simbólica, mas também a contínua busca da humanidade por significado e conforto diante da mortalidade.

Palavras-chave

Abstract

Cemeteries, in addition to being final resting places for the deceased, also reflect the cultural, social and religious changes of a society. The history of funerary architecture dates back millennia, from ancient tombs to the grandiose necropolises of ancient civilizations. With the advent of modern architecture in the 20th century, cemeteries began to reflect the principles of this aesthetic. Clean lines, geometric simplicity and materials such as concrete, glass and steel began to be incorporated into funeral design. Tombs and mausoleums have become more minimalist, reflecting a shift in the perception of death and mourning in modern society. In addition to aesthetics, the symbolism in modern cemeteries has also changed. While traditional religious symbols are still common, new symbolic elements have emerged to reflect contemporary beliefs and values. To carry out this work, bibliographic and documentary research was used as a methodology. Its objective is to analyze the typological and symbolic evolution that cemeteries have experienced throughout the evolution of architecture, with a specific focus on modern architecture, and how this process clarifies the relationships between Belenense society and the representation of death. This study is justified by the importance of recognizing that, despite changes in architecture and symbolism, cemeteries continue to play a vital role in society, offering a sacred space for mourning, remembrance and reflection. It can be concluded that the modern architecture in Belém's cemeteries reflects not only stylistic and symbolic evolution, but also humanity's ongoing search for meaning and comfort in the face of mortality.

Keywords

Resumen

Los cementerios, además de ser lugares de descanso final de los difuntos, también reflejan los cambios culturales, sociales y religiosos de una sociedad. La historia de la arquitectura funeraria se remonta a milenios, desde tumbas antiguas hasta las grandiosas necrópolis de civilizaciones antiguas. Con la llegada de la arquitectura moderna en el siglo XX, los cementerios empezaron a reflejar los principios de esta estética. Líneas limpias, simplicidad geométrica y materiales como el hormigón, el vidrio y el acero comenzaron a incorporarse al diseño funerario. Las tumbas y mausoleos se han vuelto más minimalistas, lo que refleja un cambio en la percepción de la muerte y el duelo en la sociedad moderna. Además de la estética, en los cementerios modernos también ha cambiado el simbolismo. Si bien los símbolos religiosos tradicionales siguen siendo comunes, han surgido nuevos elementos simbólicos que reflejan creencias y valores contemporáneos. Para la realización de este trabajo se utilizó como metodología la investigación bibliográfica y documental. Su objetivo es analizar la evolución tipológica y simbólica que han experimentado los cementerios a lo largo de la evolución de la arquitectura, con un enfoque específico en la arquitectura moderna, y cómo este proceso clarifica las relaciones entre la sociedad belenense y la representación de la muerte. Este estudio se justifica por la importancia de reconocer que, a pesar de los cambios en la arquitectura y el simbolismo, los cementerios continúan desempeñando un papel vital en la sociedad, ofreciendo un espacio sagrado para el duelo, el recuerdo y la reflexión. Se puede concluir que la arquitectura moderna de los cementerios de Belém refleja no sólo la evolución estilística y simbólica, sino también la búsqueda constante de la humanidad por significado y consuelo frente a la mortalidad.

Palabras clave

Como citar

MENEZES, Amanda Roberta Botelho; NUNES, Marcia Cristina Ribeiro Gonçalves; PINHEIRO, Luane Cristina dos Santos. Arquitetura Moderna e o cemitério: análise da evolução tipológica e simbólica nos cemitérios de Belém-PA. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO NORTE/NORDESTE, 10., 2024, Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande: UFCG, UNIFACISA, 2024. ISBN 978-65-272-1054-2. DOI: 10.5281/zenodo.19295240.

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Ficha catalográfica

10º Seminário Docomomo Norte/Nordeste: anais: Conservar já, Documentar sempre! [recurso eletrônico] / organização: Alcília Afonso de Albuquerque e Melo. Campina Grande: UFCG, UNIFACISA, 2024. Disponível em: www.even3.com.br/anais/xdocomomonne2024. ISBN 978-65-272-1054-2. DOI: 10.29327/9786527210542