As referências carioca e mineira da Arquitetura Moderna no Espírito Santo

Capa dos anais

1º Seminário Docomomo Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19286382

Resumo

A Arquitetura Moderna Brasileira, mesmo quando ligada à intenção plástica individual, congrega padrões de linguagem compartilhados por grupos de arquitetos. Tais padrões se difundem mediante redes de relações. Segundo Ruth Verde Zein: “A arquitetura moderna sempre se caracterizou por sua intenção ‘exemplar’, pelo didadismo. Os grandes mestres pioneiros foram além de arquitetos, professores e divulgadores das novas concepções”. A inexistência de escolas de arquitetura no Espírito Santo, até 1979, resulta numa inevitável transferência de padrões lingüísticos e operativos através da atuação de arquitetos formados em outros estados brasileiros. As bases para o surgimento da arquitetura moderna capixaba ocorrem no Governo Vargas (1930-45) com o crescimento da construção civil e a difusão do uso do concreto armado. Contudo, os pressupostos da Arquitetura Moderna são concretizados no início dos anos 1950, com governantes difusores da ideologia Moderna desenvolvimentista e com a atividade de arquitetos formados no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. O governo de Jones Santos Neves (1951-53) incorpora-se ao princípio de racionalização da arquitetura moderna. Jones recorre a arquitetos formados na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil como: Francisco Bolonha, Ari Garcia Roza, Élio Vianna e Maria do Carmo Schwab. No mesmo período, formado na Escola de Arquitetura de Minas Gerais, o arquiteto Décio Thevenard projeta edificações que remetem à linguagem “Art Decó” dos professores fundadores da Escola de Arquitetura de Belo Horizonte (EABH). Nos anos 1970, outros arquitetos formados na EABH atuam em Vitória, ES.

Palavras-chave

Abstract

The Brazilian Modern Architecture congregates language patterns shared by architects' groups. Such patterns are diffused by nets of relationships that constitute identities. According to Ruth Verde Zein: "The modern architecture was always characterized by its pattern intention and the didactical purpose, the pioneering masters were besides architects, teachers and divulgers of the new conceptions." The inexistence of architecture schools in the Espírito Santo results in an inevitable transfer of linguistic and operative patterns through the architects' performance formed in Rio and in Minas. The bases for the appearance of the architecture modern in Espírito Santo happen in the Vargas Government (1930-45). On that occasion, it is verified in Vitória, the capital of the state, the growth of the built mass and the diffusion of the use of the reinforced concrete in protomodernism' works. However, the premises of the Modern Architecture are rendered in the beginning of the years 1950, with rulers disseminators of the ideology of "desenvolvimentism" and with the architects graduate in Rio de Janeiro and in Belo Horizonte. In the fifties years, there is the adhesion to the rationalization principles of the modern architecture with the architects' performance graduate in National University of Architecture of the University of Brazil as: Francisco Bolonha, Ari Garcia Roza, Élio Vianna and Maria do Carmo Schwab. Décio Thevenard projects constructions that resemble to the language "Art Decó" of Rafaello Berti's works, teacher and active architect in Minas Gerais. Just like Thevenard, in the seventies years, other architects graduate at the School of Architecture of Minas Gerais in Belo Horizonte come to work in the Espírito Santo. They are modern architects, however, with an unequivocal expression estereometric in the constructions.

Como citar

MIRANDA, Clara Luiza. As referências carioca e mineira da Arquitetura Moderna no Espírito Santo. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO MINAS GERAIS, 1., 2010, Belo Horizonte. Anais [...]. Belo Horizonte: Núcleo Docomomo Minas Gerais, 2010. DOI: 10.5281/zenodo.19286382.

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